Não tenho ideia de quem você é, onde está ou o que está fazendo agora, mas sei que um dia te encontrarei. Não sei como você é, como são seus olhos e rosto, não sei como será seu gosto, seu cheiro, mas tenho certeza que vou gostar de quase tudo, e com o pouco que posso não aceitar, vou aprender a admirar e a conviver com isso.
Não sei como será nossa convivência no início, mas aposto o mundo que futuramente, quanto estivermos mais próximos, seremos os melhores companheiros, você se tornará meu melhor amigo. Sei que você está destinado a mim desde que nasci, e mesmo que passem outros pela minha vida, você será extremamente único para mim. Tenho consciência de que vou te amar e cuidar de você até que a morte nos separe.
No final, não tenho pressa para que você surja logo em minha vida, estarei preparado, seja quando for...
PS: Mesmo que eu não goste de cachorros, eu gostaria bastante que fosse um bulldog.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
8 ou 80: Final.
Faltavam apenas mais duas horas para que Tiago parasse de tamborilar os dedos no ritmo de alguma música irreconhecível pela velocidade em que fazia aquilo na mesa do restaurante caro no qual, esperava por Mateus. Ele resmungava e olhava impacientemente para a porta de entrada mesmo sabendo que ainda não era o horário que havia marcado. Mateus encontrava-se sentado no chão de seu quarto sem saber que roupa escolheria para usar aquela noite, e xingava palavrões por ser tão fresco em relação a isso. Acabou optando por uma camisa social cinza e uma calça jeans de cor escura. Por algum motivo, sentia-se realmente nervoso naquele dia, Tiago andava agindo estranhamente na ultima semana, algo semelhante ao que antecedeu o pedido de noivado em plena apresentação de seu artigo em um seminário da faculdade, que o deixou realmente surpreso, feliz e se vocês se perguntam, obviamente Mateus disse um sim como resposta. Finalmente, após terminar de se arrumar e perceber que faltavam apenas 20 minutos do horário combinado, pegou um táxi e dirigiu-se ao restaurante.
Tiago não foi capaz de olhara para mais ninguém além do rapaz que o encarava com o rosto vermelho e que ele amava tanto, enquanto agradecia as aulas de canto e piano que havia tido quando era mais novo. Ele sabia que isso era muito ao estilo daquele seriado que as pessoas vivem cantando por tudo que Mateus gostava tanto de assistir, mas ele não ligava.
Tiago agora estava mais nervoso e rangia os dentes violentamente, e já havia verificado se o palco em que ocorriam apresentações ao vivo realmente possuía um piano no mínimo umas 200 vezes com os olhos, como se sem mais nem menos o instrumento pudesse criar pernas e correr para longe. Já o moreno, verificava pela terceira vez, se a pequena caixa que guardava em seu bolso realmente encontrava-se lá. Mateus achou estranho ao entrar no restaurante e ver vários rostos conhecidos, tanto amigos como alguns parentes. E sim, desde que haviam noivado, ambos contaram para suas respectivas famílias sobre seu relacionamento, e por mais incrível que possa parecer, a aprovação por boa parte da família dos dois foi feita. Ignorando esse fato, Mateus dirigiu-se para a mesa na qual Tiago o esperava sorridente, beijando-o ao sentar-se. O ruivo chamou o garço logo em seguida e fizeram o pedido do que jantariam. Conversaram felizes durante o jantar e ao acabarem de comer, o moreno fez menção de pegar algo no bolso, mas Tiago foi mais rápido e levantou-se, caminhando até o piano. Peço perdão aos leitores, mas nessa parte, seria injusto e até um tanto feio de minha parte em não usar as palavras ditas por Tiago ao sentar-se no banco do piano.
"- Peço silêncio de todos agora, e por favor, parem de comer, vai sair do meu bolso o jantar de todos vocês nessa noite - e riu com a cara que todos fizeram. - Gostaria quem ouvissem com atenção o que tenho a dizer para aquele garoto que está sentado ali naquela mesa. Sim para você mesmo Mateus e não se faça de louco em não participar do que preparei para a noite de hoje."
E logo em seguida, começou a tocar no piano a mesma música que havia tamborilado com os dedos praticamente o dia todo, mas dessa vez era fácil de se distinguir o que era tocado. Mateus prendeu o ar ao ouvir as primeiras notas de "Kiss me" do Ed Sheeran que havia sido a música que tocava na primeira vez que viu o seu "ruivo sem alma" e seus olhos verdes.Logo em seguida, a voz do outro preencheu o ambiente e ele odiou o fato de estar ficando ruborizado pois sabia que amava a voz que ouvia agora.
Ao fim da música, o mais baixo (Mateus, para quem não lembra) levantou-se da cadeira aplaudindo junto com todos as outras pessoas que estavam presentes naquele restaurante. Encaminhou-se para o outro ajoelhando-se antes que ele pudesse reagir e tirando finalmente a caixa a qual guardava com tanto cuidado em seu bolso. Devo dizer que todos ali presentes, ficaram surpresos afinal, era Tiago que havia planejado o pedido de casamento para aquela noite e não ao contrário. Com lágrimas nos olhos, ambos ficaram se encarando, do mesmo jeito que faziam quando não tinham palavras certas para dizer. Não é preciso dizer que o pedido foi perfeitamente aceito ( Tiago ficou relutante em não poder usar as alianças que havia comprado, mas no final, parou de resmungar). Naquela noite, após comemorarem bastante e despedirem-se de todos, foram para casa, arrumaram as malas e partiram pelo mundo ( creio ter esquecido de dizer que o sonho dos dois era o de ser mochileiros). Decidiram terminar a faculdade em outro momento, quem sabe em um que realmente fosse necessário para seguir a vida. Gostaria de poder continuar contando o que aconteceu depois da partida dos dois mas infelizmente só tenho tido notícias através das cartas e emails que eles me enviam de vez em quanto... Mas posso afirmar que vivem com um final mais feliz do que qualquer princesa boba da Disney, afinal, em todos os contos de fadas (não importando quem sejam os protagonistas) sempre haverá um "happy ever after"...
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
8 ou 80: 2ª Parte.
Tiago não gostava de falar sozinho, já faziam uns 6 ou 7 minutos que ele tentava falar a dificuldade que estava tendo em escrever um artigo para a faculdade e Mateus simplesmente não o respondia, tendo sua atenção totalitariamente voltada para o videogame, jogava algum jogo que para Tiago era bobo e sem sentido, deixando-o mais irritado com o que para ele era um desprezo total por parte do outro. Não aguentando mais a situação, caminhou em direção ao videogame, apertou o botão para desligá-lo e encarou Mateus firmemente. O moreno falou uma sequência rápida de palavrões e fechou a cara, fazendo com que o ruivo se controlasse para não jogar o console pela janela, coisa que já havia acontecido com o controle da televisão uns meses atrás. Tiago deu alguns rosnados e rumou para seu quarto, preferiu evitar uma briga maior naquele dia, afinal já não estava tendo seu melhor dia daquela semana. Mateus pensou em religar o jogo mas foi mais humano e puxou o notebook que o outro havia deixado sobre a mesa de centro da sala, abriu o artigo e o leu algumas vezes e começou a arrumar algumas coisas e adicionar outras, uns 20 minutos depois, após ter terminado, bateu na porta do quarto do outro e mesmo sem receber autorização para entrar, invadiu o quarto, Tiago como sempre, encontrava-se deitado no chão do quarto, olhos fechados, fones no ouvido, resmungando coisas inaudíveis em meio a bagunça tradicional do ambiente. Mateus deitou-se do lado, e mordiscou a orelha do outro carinhosamente, Tiago abriu os olhos e virou-se para o lado encarando-o e beijando-o logo em seguida, um beijo daqueles de tirar o fôlego e que logo seria o início para algo mais, algo para o qual ambos estavam direcionados ao começarem a tirar rapidamente as camisetas e ficarem com os corpos semi-nus. Pouco a pouco, as outras peças de roupa foram sendo realocadas, do corpo para partes aleatórias do quarto. Não foi preciso um pedido de desculpas concreto, o simples fato dos corpos estarem ali, juntos, trocando calor já significava algo muito maior do que palavras bobas utilizadas em pedidos de perdão. Algum tempo depois, levantaram e decidiram pedir pizza, brigaram por alguns minutos na escolha do sabor, e antes que digam algo sobre pizzas poderem ter mais de um sabor, Tiago e Mateus gostavam de um monopólio sobre o sabor da pizza, então, naquela noite, Mateus como quase sempre acontecia, ganhou no par ou ímpar e ficou com a escolha, mas escolheu os sabores do outro para fazer um agrado. Não é necessário dizer como Tiago ficou feliz em ver que o outro havia praticamente escrito todo o artigo para ele e em ler o pequeno post script deixado no final: "Acho que amo você, ruivo sem alma."
Naquela noite, a janta teve um gosto diferente, uma mistura do sabor da pizza com o amor que ambos começavam a admitir sentir...
Naquela noite, a janta teve um gosto diferente, uma mistura do sabor da pizza com o amor que ambos começavam a admitir sentir...
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
8 ou 80: 1ª Parte.
Mateus contou até três algumas vezes, nunca se soube dizer quantas, ele sempre contava mais rápido do que as pessoas comuns, já Tiago cantarolou o pedaço de alguma música pop fingindo não prestar atenção no que o outro queria lhe dizer, no intuito de evitar uma briga, mesmo sabendo que ao fazer aquilo, o irritaria mais ainda. Era difícil de se dizer qual dos dois era mais pirracento, não só pelo fato de ambos nunca aceitarem estar errado, mas também por serem do signo de Áries. Tiago levantou-se do sofá e parou cara a cara com Mateus. Ficaram por um bom tempo encarando-se até que de tão sério, Mateus foi incapaz de conter o riso e deu um soco de leve no ombro do outro. Tiago era mais alto, de cabelos num tom ruivo e olhos verdes, Mateus tinha cabelos castanhos e bagunçados que ficavam realmente combinando com seus olhos da mesma cor quando fazia cara feia. Por mais que soubesse que apenas tinha evitado a explosão momentânea, Tiago respirou fundo, riu e sentou-se novamente no sofá. O convívio dos dois era um tanto problemático, Mateus sempre era cuidadoso e metódico com as coisas enquanto o ruivo era realmente relaxado e não se importava de deixar as roupas largadas pela casa e muito menos tinha a preocupação de arrumar a cama, uma das coisas que fazia o outro contar muitas vezes até três. No princípio, viviam entre brigas e destruição de coisas e provavelmente foi numa dessas que acabaram descobrindo o gosto que o outro tinha, não que fizessem isso anteriormente, mas como Tiago dizia, às vezes coisas acontecem e acabam por continuar acontecendo. Não era um namoro, e nem estava perto disso, não costumavam dormir juntos e muito menos passar horas como casais fariam, assistindo filmes românticos ou trocando mensagens bobas durante o dia, eles eram como amigos, que tem algo a mais sem definição, não que Mateus não tivesse procurado opiniões de alguns amigos e amigas mais íntimos, que por sinal achavam os dois fofos juntos. Um fazia Física e o outro Filosofia, e isso também era motivo para discussão. Muitas vezes, em meio a discussões decidiam por não se falarem mais e que um dos dois procuraria outro lugar para morar, mas sempre voltavam atrás e ficavam por horas abraçados resmungando coisas fofas e que não falariam se não tivessem chegado a tal ponto. Naquele dia não foi diferente, após sentar-se no sofá, Tiago pediu uma tigela de sucrilhos, colocou os pés sobre a mesinha de centro esperando o outro servi-lo e sorriu feito criança ao receber seus cereais com um beijo de desculpa na testa. Já Mateus, após o beijo acendeu um cigarro, foi para a varanda do apartamento e agradeceu pelo dia de sol e pela boa companhia que teria naquele dia. Seria um bom começo de verão naquele ano...
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Rios.
Nunca acreditei que esse dia chegaria mas aqui estou eu escrevendo esse texto que tenho a muito tempo preparado em minha cabeça. Por mais difícil que seja para admitir, eu gosto de uma forma incrível aqui do Sul do país, especialmente de Rio Grande. Foi aqui em Rio Grande que vivi boa parte da minha vida, momentos bons e ruins, foi aqui que tive a oportunidade de ingressar em uma universidade federal e também viver experiencias que se eu ainda fosse o Bryan do Rio de Janeiro, provavelmente não teria tido coragem de vivenciar. Não que eu não ame minha cidade natal, eu realmente gosto bastante de lá, sou um cara que gosta do movimento e da agitação das cidades grandes (inclusive das boas boates e da Lapa), mas com tanto tempo vivendo pelo Sul, acabei me apegando em alguns pequenos detalhes. Admito que existem coisas que ainda me incomodam, como o regionalismo (ou bairrismo) que pra mim é exagerado e a xenofobia que vejo muitas vezes rolando solta por aí. Creio que minha formação como pessoa, no final, realmente pertença ao sul, o que faz com que muitas vezes quando me perguntem da onde eu sou eu responda primeiramente Rio Grande para depois me corrigir dizendo Rio de Janeiro, dois "Rios" com particularidades tão distintas mas que passo a sentir saudades se fico muito afastado de um dos dois. Enfim, aos poucos passo por uma adaptação tanto social como linguísticas no Sul, fato que pode ser comprovado quando escrevo "tu" ao invés de "você" algumas vezes, pela mania de falar o tradicional "bah" gaúcho, e por não negar o bom e velho chimarrão. Aos poucos vou me "engauchando" e ficando mais e mais um "cariúcho" que não pensa em sair do Sul depois de formado, na tentativa de retribuir por tudo que tenho recebido dessa terra.
No fim, talvez aqui realmente seja o lugar em que tudo o que se planta cresce e o que mais floresce é o amor...
No fim, talvez aqui realmente seja o lugar em que tudo o que se planta cresce e o que mais floresce é o amor...
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Ele e Ela
Ele encarava o mundo de uma forma triste, ela sorria para si mesma no espelho sabendo que seria mais um dia perfeito. Ele se atrasava para tudo, inclusive muitas vezes para a vida, já ela, era sempre impecavelmente pontual. Ele gostava de café, ela de suco de pêssego e um pedaço de alguma torta, preferencialmente de morango. Ele escrevia poemas sobre os males do mundo enquanto ela pintava quadros sobre a beleza da vida. Ela tinha cabelos ruivos e olhos verdes vivos, ele, tinha um tom negro em seu cabelo e olhos castanhos e profundos. Enquanto ela dançava com as amigas em festas, ele assistia documentários no Animal Planet. Ela fazia exatas, e ele alguma humana qualquer. Ela iluminava os locais por onde passava com seu jeito animado, ele, não trazia nada com sua presença, apenas um tom entediante com sua voz sem graça. Ela ouvia músicas pop enquanto ele tocava guitarra numa banda cover de rock. Ela ajudava idosos nas horas vagas, ele, jogava video game com os amigos. No final, ela por mais que tivesse uma vida supostamente perfeita, não era tão feliz, ela buscava por algo que não sabia onde encontrar, enquanto ele, observava a garota há algum tempo esperando o dia que ela notasse ele para que pudesse então, terminar com a busca dela...
No final não havia como ele não se apaixonar pela menina ruiva que sempre sorria infeliz.
No final não havia como ele não se apaixonar pela menina ruiva que sempre sorria infeliz.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Meteoros e dinossauros
Não gostei de ser um mamífero e sempre me sinto culpado ao pensar em como os dinossauros foram extintos, logo eles que não teriam causado metade do estrago que nós, macacos evoluídos,causamos. Conto nos dedos os dias que fico sem pensar nos dinossauros, talvez seja um amor platônico o que sinto por eles, ou simplesmente mais uma das minhas tristes e estranhas paranoias que causo a mim mesmo quando cismo com alguma coisa. Provavelmente deve ser de uma espécie semelhante da paranoia que tenho com divisões, como relacionamentos, com cachorros que falam e bebês super dotados de inteligencia que vejo em filmes, nada muito fora do comum. Eu deveria parar de contar carneiros antes de dormir, torna-se massante depois de certo tempo e muitas vezes acabam se tornando algum tipo de animal, quando não, objetos que pulam cercas. Certamente esse é um dos meus textos mais doentios e anormais, mas infelizmente, não tenho nada de concreto e minha linha de pensamento encontra-se distorcida e problemática faz alguns dias e ainda não tive coragem de tentar corrigi-la. Enfim, volto-me aos dinossauros, que são a unica coisa que realmente vale a pena nesse texto, queria poder ter um de estimação, não precisava ser grande como um tiranossauro, queria um de porte médio ou pequeno, para cuidar como qualquer outro bichinho de estimação. Mas eu teria que ter a coragem de enfrentar qualquer meteoro que viesse tentar acabar com a felicidade de meu pequeno animalzinho, coragem essa, que me falta para muitas outras coisas.
No final, talvez eu tenha necessidade de abraços...
No final, talvez eu tenha necessidade de abraços...
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Vento...
Longas jornadas que nos levam além do horizonte, sonhos e desejos que nos movem pra longe. Deveríamos nascer com mochilas prontas e mapas da vida embutido em nossas cabeças, pra quem sabe assim, sabermos os rumos que deveremos tomar. Montanhas de obstáculos, florestas de incerteza, mares de felicidade e ruas de paixão, entre tantos outros ambientes aos quais estamos suscetíveis a passar. Não procuramos luzes no final dos túneis ou muito menos o fundo dos poços de que muitas vezes bebemos da água. Procuramos na verdade, por horizontes belos, agradáveis, confortáveis e em que possamos nos sentar e aguardar ali por todo o resto bonitinho e açucarado que deveríamos receber da vida. Vai saber o que nos aguarda...
Ps: Pra onde a sua brisa lhe carrega afinal?
Ps: Pra onde a sua brisa lhe carrega afinal?
sábado, 25 de maio de 2013
Crescendo.
Tempos atrás éramos crianças, daquelas bobas que brincavam de bonecos, que rabiscavam as paredes e que não ligavam para o mundo cinzento e dramático que nos aguardava lá fora. Eram bom aqueles tempos, não haviam preocupações, só bolo, sorvete e mel, entre outras coisas tolas as quais crianças se divertem e se fazem alegres. Lembro-me de conversarmos entre doces e balas de como gostaríamos de crescer, e de tudo que iríamos fazer quando fossemos adultos. Ledo engano nosso, crianças sempre aguardam felizes pelo pior. Enfim crescemos, e com isso pudemos perceber que nem sempre no final do arco-iris existia o bendito pote de ouro e que na maioria das vezes, acabava terminando no velho escuro o qual tanto temíamos quando mais novos. Com a idade vieram as responsabilidades, as dificuldades, os amores, os desafios, e os monstros do passado e que agora, se esconder embaixo das cobertas e esperar alguns minutos não os faria ir embora. Sabe, mesmo com tudo isso, acho que foi legal crescer. Mesmo com tudo que precisamos enfrentar agora, as crianças que fomos a anos atrás foram capaz de aprender a viver e a encarar o mundo de forma boa, mas sempre com um pouco dos olhos que víamos o mundo antigamente.
Quem sabe a gente cresça mas sempre exista em algum lugar dentro de nós, um pouco daquela criança que já fomos.
Ps: Ainda gosto de rabiscar em paredes, sei lá, acho emocionante e bonito para os olhos.
Quem sabe a gente cresça mas sempre exista em algum lugar dentro de nós, um pouco daquela criança que já fomos.
Ps: Ainda gosto de rabiscar em paredes, sei lá, acho emocionante e bonito para os olhos.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Mesmices de um dia igual.
Talvez você não tivesse que ir embora naquele dia, poderia ter ficado mais e esperado eu cantar canções de amor em voz alta e rezado para que o vento levasse nossas mágoas embora. Quem sabe pudesse ter contado os minutos que passavam correndo, brincalhões, em nossas vidas e ter implorado para que não fizessem tanta bagunça. Já eu, deveria ter te dito o quão feliz estava com sua presença e te deixar comer as bolachas do pote, enquanto eu roubava algumas colheradas de um mel de abelhas furiosas como um urso bobão. E se ao menos conseguíssemos contar nos dedos as vezes as quais nos magoamos, provavelmente teríamos rido e sido mais felizes. Tentaríamos não congelar no frio que faz lá fora e tenho certeza que eu acabaria cantando "Baby, it's cold outside", e você reclamaria da minha voz e que deveríamos ter ficado do lado de dentro, abraçados, enquanto assistíamos um daqueles filmes bobos de amor que me deprimem. E se ao menos eu fosse capaz eu te mostraria que o mundo não é tão difícil e cinzento o quanto parece e que você não tem nada a perder se pegar a caixa de lápis de cor que te ofereço agora.
E assim a gente segue a trancos e barracos experimentando o gosto diferente que a vida nos da uma provinha agora.
PS: Eu sempre soube que você gostaria das almofadinhas nas minhas patas =D
E assim a gente segue a trancos e barracos experimentando o gosto diferente que a vida nos da uma provinha agora.
PS: Eu sempre soube que você gostaria das almofadinhas nas minhas patas =D
terça-feira, 14 de maio de 2013
Garoto.
Entre um texto e outro, a garota do passado lúgubre e cansado encontra-se com o rapaz jovial e brilhante que agora habitava aquele espaço e que aos poucos fazia mudanças leves mas bem definidas na mobília daquela mente conturbada e um tanto problemática. Ficaram encarando-se por um longo período, período esse que para ambos pareceu uma eternidade. Ninguém sabe o que passava pela cabeça deles. Panquecas, sim panquecas, era o que ambos chegaram a conclusão de queriam comer. Não das normais como as que minha mãe faz para um almoço de quem sabe uma quarta feira, mas daquelas que apenas em dias frios com chocolate quente e muitas ternurinhas devem ser comidas. Quem sabe acompanhadas de um feriado muito branco já que a névoa deveria encobrir a cidade sendo capaz até de esconder aquele casal de idosos que aprontava ousadias em plena luz do poste da cidade. Entre uma garfada e outra, os garotos comiam a grande torta de morangos silvestres que possuía um gosto de mundo, Júpiter e um pouco doce como Marte. Quando se deram conta, já era a hora de observarem as estrelas cascudas e sem brilho como o gloss da menina que se maquiava a poucos metros de distancia. Exclamações a parte, os dois gostavam de assistir a filmes de terror trash, daqueles que são óbvios e mal feitos, com falas ruins e cenário afetado, com sangue de mentira e lobisomens de borracha. Na verdade sempre foi do agrado colher goiabas e pitangas no quintal, ela se sentia comendo frutas com gosto de um pé de amor.
Mesmos.
Ambos acordaram provavelmente na mesma hora, no mesmo instante quem sabe, mas em lugares diferentes. Enquanto um coçava os olhos, o outro afagava a própria cabeça pensando no que fazer. O mais velho tomava chá gelado de frutas vermelhas, o mais novo, café. O loiro mastigava algumas bolachas recheadas, já o moreno, escovava os dentes. Um tinha um sotaque engraçado, o outro se dizia complicado. O mais alto se sentia uma criança crescida, o mais baixo também. Enquanto o primeiro lia algumas bobeiras em seu feed de notícias, o outro acendia um cigarro. Riram ao mesmo tempo de bobeiras que lembravam ou até de deboches da noite passada. O mais magro talvez estivesse se apaixonando, já o outro, quem saberia dizer? No final, tudo poderia ser tão igual mesmo sendo tão diferente. Afinal, haviam apenas acordado em lados opostos da cama...
sexta-feira, 10 de maio de 2013
E aí vou eu.
Eu poderia escrever um texto dizendo o quanto eu me sinto péssimo, o quanto é dificil pra mim isso tudo. Mas não, eu sou mais que isso, eu tenho um universo dentro de mim, e cada parte mínima desse universo transborda com milhões de luzinhas e mesmo não sendo natal, acho que é o momento de deixar elas brilharem timidamente enquanto enfeitam meus sonhos. E dessa vez, prometo a mim mesmo, as grandes florestas de Níria ouvirão novamente meus risos enquanto vejo o vento soprar entre os galhos.
De agora em diante não vou esperar o mundo mudar, quero ser a mudança, afinal eu sempre fui mais mágico que os unicórnios e duendes.
Mundo, prepare-se voltarei a correr selvagem e feliz pelas colinas da vida.
Dias mais azuis virão, garoto, mas você sempre preferiu o vermelho, então pinte o mundo com suas cores.
De agora em diante não vou esperar o mundo mudar, quero ser a mudança, afinal eu sempre fui mais mágico que os unicórnios e duendes.
Mundo, prepare-se voltarei a correr selvagem e feliz pelas colinas da vida.
Dias mais azuis virão, garoto, mas você sempre preferiu o vermelho, então pinte o mundo com suas cores.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Comprimidos para vida.
Ele lia aquelas frases sentindo a dor em seu peito, dor aquela que já era velha conhecida. Tentou mudar as coisas, ajustar os problemas, se culpar por tudo, pobre garoto com suas tentativas em vão. Não era capaz de chorar, sabia que se derrubasse algumas lágrimas, todo o resto que segurava com esforço tombaria e acabaria o soterrando em suas incerteza, deixando-o entregue aos próprios demônios. Na playlist, suas malditas músicas depressivas, as mesmas que em tantos momentos fizeram-no companhia. Malditos arianos pensou consigo mesmo, enquanto levantava-se da cama e xingava o mundo, quem sabe todos que nele viviam também. Hoje seria um dia daqueles difícil de engolir, como aqueles comprimidos para dores de cabeça gigantes, daqueles que entalam na garganta e que deixam um gosto amargo na boca, daqueles que sabemos que ao tomar, demora para passar a dor, mas que quando faz o efeito, nem lembra-se que doía. Novamente, hoje era um daqueles dias em que ele preferia não existir...
Quer saber? Que seja. Tenho muitos mundos para escrever e muito heróis para desenhar.
Quer saber? Que seja. Tenho muitos mundos para escrever e muito heróis para desenhar.
Karamir
Lembro de minha primeira viagem a Karamir. Aliria e Erdis não esperavam por mim, mas mesmo assim foram simpáticos e receptivos. Os gêmeos me convidaram para sentar e prepararam um delicioso café da tarde enquanto contavam-me sobre o recente aparecimento de Edgard e de que provavelmente ele seria o novo herói que salvaria Karamir como havia acontecido a 640 anos antes. Perguntei se possuíam certeza de que seria ele e obtive um não como resposta. Pude perceber uma certa alteração por parte de Erdis quando falava de Edgard e citava suas características e personalidade, talvez Erdis estivesse sentindo algo a mais pelo garoto, e ao olhar para Aliria, tive minha confirmação pelo sim que ela fez com a cabeça. Aliria sempre foi boa em entender sentimentos e em ler os pensamentos dos outros.
Aliria perguntou como andava minha vida, ela parecia preocupada, provavelmente já tendo percebido que eu não andava muito bem. Antes que eu pudesse responder, ela levantou-se calmamente de sua cadeira na mesa em que nos encontrávamos sentados e encaminhou-se a mim, abraçando-me. Aproximando-se de minha orelha, sussurrou sobre o quanto eu era parecido com Briennel e o quanto Kaleb andava feliz desde que eu havia o mandado para Karamir. Disse que provavelmente eu o encontraria se ficasse mais um pouco.
Com algumas lágrimas nos olhos, abracei-a também dizendo que não poderia ficar e esperar o pequeno Kaleb, não queria que ele chorasse e nem que ficasse pensando em mim. Sentia-me feliz em saber o quanto meu pequeno e amado estava feliz desde que livrei-o dos problemas que a maturidade nos trouxe. Viver com ele os problemas para os quais ele não era preparado o entristecia e logo o fazia sofrer, deixá-lo sob os cuidados de Aliria era minha unica forma de salvá-lo do que aos pouco eu me tornava, mesmo nos tempos ruins em que Karamir encontrava-se.
- Ele provavelmente deve estar brincando com as fadas restantes do bosque; falou Erdis sorrindo tentando me alegrar. - Ele fez grandes amigos; acabei não me contendo e chorando o que a bastante tempo havia dentro de mim. Naquele momento, percebi que já era o momento de minha partida. Minha primeira e única visita a Karamir, desde que eu havia criado-a. Enxuguei as lágrimas e tirei a pequena chave que carregava comigo desde antes da criação de Karamir. Peguei as delicadas mãos de Aliria e depositei lentamente a chave entre elas.
- Por favor, entreguem a chave do Ermo para Kaleb, ele saberá o que fazer. Agora, se não for pedir muito gostaria de ouvir uma de suas doces canções; Aliria concordou e puxou uma pequena e prateada flauta do bolso de suas vestes.
- Adeus; falaram os gêmeos ao mesmo tempo. - Mande lembranças ao Lusus, diga que o aguardamos para uma visita e um chá; e falando isso ambos me abraçaram, e logo em seguida, Aliria levou a flauta aos lábios soando sua doce e hipnotizante música.
Novamente senti as lágrimas encherem meus olhos, talvez as mesmas que sinto ao escrever para vocês esse pequeno fragmento de uma visita ao meu amado mundo. Não saberia quando voltaria ali novamente. Me preocupava com a guerra iminente que a minha própria corrupção humana havia enraizado no núcleo de Karamir enquanto eu criava-a, que havia tentado sufocá-la duas vezes em tempos passados e que provavelmente a terceira se aproximava. Mas me senti feliz em saber que Kaleb, Aliria e Erdis encontravam-se bem e que esse garoto, Edgard, provavelmente seria capaz de salvar aquilo que eu mesmo havia deixado a mercê da sorte.
Lembranças de Aliria e Erdis, quem sabe de Kaleb também, ao meu querido amigo Lusus.
Aliria perguntou como andava minha vida, ela parecia preocupada, provavelmente já tendo percebido que eu não andava muito bem. Antes que eu pudesse responder, ela levantou-se calmamente de sua cadeira na mesa em que nos encontrávamos sentados e encaminhou-se a mim, abraçando-me. Aproximando-se de minha orelha, sussurrou sobre o quanto eu era parecido com Briennel e o quanto Kaleb andava feliz desde que eu havia o mandado para Karamir. Disse que provavelmente eu o encontraria se ficasse mais um pouco.
Com algumas lágrimas nos olhos, abracei-a também dizendo que não poderia ficar e esperar o pequeno Kaleb, não queria que ele chorasse e nem que ficasse pensando em mim. Sentia-me feliz em saber o quanto meu pequeno e amado estava feliz desde que livrei-o dos problemas que a maturidade nos trouxe. Viver com ele os problemas para os quais ele não era preparado o entristecia e logo o fazia sofrer, deixá-lo sob os cuidados de Aliria era minha unica forma de salvá-lo do que aos pouco eu me tornava, mesmo nos tempos ruins em que Karamir encontrava-se.
- Ele provavelmente deve estar brincando com as fadas restantes do bosque; falou Erdis sorrindo tentando me alegrar. - Ele fez grandes amigos; acabei não me contendo e chorando o que a bastante tempo havia dentro de mim. Naquele momento, percebi que já era o momento de minha partida. Minha primeira e única visita a Karamir, desde que eu havia criado-a. Enxuguei as lágrimas e tirei a pequena chave que carregava comigo desde antes da criação de Karamir. Peguei as delicadas mãos de Aliria e depositei lentamente a chave entre elas.
- Por favor, entreguem a chave do Ermo para Kaleb, ele saberá o que fazer. Agora, se não for pedir muito gostaria de ouvir uma de suas doces canções; Aliria concordou e puxou uma pequena e prateada flauta do bolso de suas vestes.
- Adeus; falaram os gêmeos ao mesmo tempo. - Mande lembranças ao Lusus, diga que o aguardamos para uma visita e um chá; e falando isso ambos me abraçaram, e logo em seguida, Aliria levou a flauta aos lábios soando sua doce e hipnotizante música.
Novamente senti as lágrimas encherem meus olhos, talvez as mesmas que sinto ao escrever para vocês esse pequeno fragmento de uma visita ao meu amado mundo. Não saberia quando voltaria ali novamente. Me preocupava com a guerra iminente que a minha própria corrupção humana havia enraizado no núcleo de Karamir enquanto eu criava-a, que havia tentado sufocá-la duas vezes em tempos passados e que provavelmente a terceira se aproximava. Mas me senti feliz em saber que Kaleb, Aliria e Erdis encontravam-se bem e que esse garoto, Edgard, provavelmente seria capaz de salvar aquilo que eu mesmo havia deixado a mercê da sorte.
Lembranças de Aliria e Erdis, quem sabe de Kaleb também, ao meu querido amigo Lusus.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Para a eternidade.
Ele apenas queria viver para sempre, ser eterno. Sentia um desejo um tanto quanto estranho pela imortalidade, pelo fato de poder ver todos aqueles que odiava, e quem sabe até os que amava e amou, serem levados para a outra vida. A imortalidade em si não era o principal, talvez houvesse nele, um medo de não ser lembrado. A imortalidade não era algo possível, buscar pela fonte da juventude ou enforcar-se nos galhos da grande Yggdrasil estavam fora de cogitação, quem sabe tornar-se um vampiro, não como daqueles filmes românticos sobre vampiros apaixonados mas sim daqueles que fazem questão de drenar cada segundo da vida de suas vítimas, talvez pedir para que fosse mumificado após sua morte, ou morrer em uma uma floresta de pinheiros e torcer para que fosse fossilizado em âmbar. Passava dias inteiros pensando na melhor forma de "viver para sempre", e com isso, passou a anotar e descrever tudo. Dias, meses e anos se passaram e com isso a vida dele também, ele cresceu, mudou, envelheceu, mas sempre com a mesma vontade. Certo dia, após sua morte, fato que não demorou muito a acontecer (o tempo nunca foi caridoso com os ambiciosos) seus filhos acabaram por publicar suas anotações feitas através dos anos. Dessa forma, finalmente, ele conseguiu o que tanto queria, mas passou tanto tempo procurando formas mirabolantes que nunca pensou que poderia se tornar um imortal através das palavras. Palavras as quais ele sempre teve domínio...
Ao meu ver, ter alguem fossilizado em âmbar, seria algo legal para decoração de uma sala...
Ao meu ver, ter alguem fossilizado em âmbar, seria algo legal para decoração de uma sala...
Assinar:
Comentários (Atom)


.jpg)