segunda-feira, 30 de setembro de 2013

8 ou 80: 2ª Parte.

Tiago não gostava de falar sozinho, já faziam uns 6 ou 7 minutos que ele tentava falar a dificuldade que estava tendo em escrever um artigo para a faculdade e Mateus simplesmente não o respondia, tendo sua atenção totalitariamente voltada para o videogame, jogava algum jogo que para Tiago era bobo e sem sentido, deixando-o mais irritado com o que para ele era um desprezo total por parte do outro. Não aguentando mais a situação, caminhou em direção ao videogame, apertou o botão para desligá-lo e encarou Mateus firmemente. O moreno falou uma sequência rápida de palavrões e fechou a cara, fazendo com que o ruivo se controlasse para não jogar o console pela janela, coisa que já havia acontecido com o controle da televisão uns meses atrás. Tiago deu alguns rosnados e rumou para seu quarto, preferiu evitar uma briga maior naquele dia, afinal já não estava tendo seu melhor dia daquela semana. Mateus pensou em religar o jogo mas foi mais humano e puxou o notebook que o outro havia deixado sobre a mesa de centro da sala, abriu o artigo e o leu algumas vezes e começou a arrumar algumas coisas e adicionar outras, uns 20 minutos depois, após ter terminado, bateu na porta do quarto do outro e mesmo sem receber autorização para entrar, invadiu o quarto, Tiago como sempre, encontrava-se deitado no chão do quarto, olhos fechados, fones no ouvido, resmungando coisas inaudíveis em meio a bagunça tradicional do ambiente. Mateus deitou-se do lado, e mordiscou a orelha do outro carinhosamente, Tiago abriu os olhos e virou-se para o lado encarando-o e beijando-o logo em seguida, um beijo daqueles de tirar o fôlego e que logo seria o início para algo mais, algo para o qual ambos estavam direcionados ao começarem a tirar rapidamente as camisetas e ficarem com os corpos semi-nus. Pouco a pouco, as outras peças de roupa foram sendo realocadas, do corpo para partes aleatórias do quarto. Não foi preciso um pedido de desculpas concreto, o simples fato dos corpos estarem ali, juntos, trocando calor já significava algo muito maior do que palavras bobas utilizadas em pedidos de perdão. Algum tempo depois, levantaram e decidiram pedir pizza, brigaram por alguns minutos na escolha do sabor, e antes que digam algo sobre pizzas poderem ter mais de um sabor, Tiago e Mateus gostavam de um monopólio sobre o sabor da pizza, então, naquela noite, Mateus como quase sempre acontecia, ganhou no par ou ímpar e ficou com a escolha, mas escolheu os sabores do outro para fazer um agrado. Não é necessário dizer como Tiago ficou feliz em ver que o outro havia praticamente escrito todo o artigo para ele e em ler o pequeno post script deixado no final: "Acho que amo você, ruivo sem alma."
Naquela noite, a janta teve um gosto diferente, uma mistura do sabor da pizza com o amor que ambos começavam a admitir sentir...

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