quarta-feira, 8 de maio de 2013

Karamir

      Lembro de minha primeira viagem a Karamir. Aliria e Erdis não esperavam por mim, mas mesmo assim foram simpáticos e receptivos. Os gêmeos me convidaram para sentar e prepararam um delicioso café da tarde enquanto contavam-me sobre o recente aparecimento de Edgard e de que provavelmente ele seria o novo herói que salvaria Karamir como havia acontecido a 640 anos antes. Perguntei se possuíam certeza de que seria ele e obtive um não como resposta. Pude perceber uma certa alteração por parte de Erdis quando falava de Edgard e citava suas características e personalidade, talvez Erdis estivesse sentindo algo a mais pelo garoto, e ao olhar para Aliria, tive minha confirmação pelo sim que ela fez com a cabeça. Aliria sempre foi boa em entender sentimentos e em ler os pensamentos dos outros.
        Aliria perguntou como andava minha vida, ela parecia preocupada, provavelmente já tendo percebido que eu não andava muito bem. Antes que eu pudesse responder, ela levantou-se calmamente de sua cadeira na mesa em que nos encontrávamos sentados e encaminhou-se a mim, abraçando-me. Aproximando-se de minha orelha, sussurrou sobre o quanto eu era parecido com Briennel e o quanto Kaleb andava feliz desde que eu havia o mandado para Karamir. Disse que provavelmente eu o encontraria se ficasse mais um pouco.
       Com algumas lágrimas nos olhos, abracei-a também dizendo que não poderia ficar e esperar o pequeno Kaleb, não queria que ele chorasse e nem que ficasse pensando em mim. Sentia-me feliz em saber o quanto meu pequeno e amado estava feliz desde que livrei-o dos problemas que a maturidade nos trouxe. Viver com ele os problemas para os quais ele não era preparado o entristecia e logo o fazia sofrer, deixá-lo sob os cuidados de Aliria era minha unica forma de salvá-lo do que aos pouco eu me tornava, mesmo nos tempos ruins em que Karamir encontrava-se.
- Ele provavelmente deve estar brincando com as fadas restantes do bosque; falou Erdis sorrindo tentando me alegrar. - Ele fez grandes amigos; acabei não me contendo e chorando o que a bastante tempo havia dentro de mim. Naquele momento, percebi que já era o momento de minha partida. Minha primeira e única visita a Karamir, desde que eu havia criado-a. Enxuguei as lágrimas e tirei a pequena chave que carregava comigo desde antes da criação de Karamir. Peguei as delicadas mãos de Aliria e depositei lentamente a chave entre elas.
- Por favor, entreguem a chave do Ermo para Kaleb, ele saberá o que fazer. Agora, se não for pedir muito gostaria de ouvir uma de suas doces canções; Aliria concordou e puxou uma pequena e prateada flauta do bolso de suas vestes.
- Adeus; falaram os gêmeos ao mesmo tempo. - Mande lembranças ao Lusus, diga que o aguardamos para uma visita e um chá; e falando isso ambos me abraçaram, e logo em seguida, Aliria levou a flauta aos lábios soando sua doce e hipnotizante música.
       Novamente senti as lágrimas encherem meus olhos, talvez as mesmas que sinto ao escrever para vocês esse pequeno fragmento de uma visita ao meu amado mundo. Não saberia quando voltaria ali novamente. Me preocupava com a guerra iminente que a minha própria corrupção humana havia enraizado no núcleo de Karamir enquanto eu criava-a, que havia tentado sufocá-la duas vezes em tempos passados e que provavelmente a terceira se aproximava. Mas me senti feliz em saber que Kaleb, Aliria e Erdis encontravam-se bem e que esse garoto, Edgard, provavelmente seria capaz de salvar aquilo que eu mesmo havia deixado a mercê da sorte.

Lembranças de Aliria e Erdis, quem sabe de Kaleb também, ao meu querido amigo Lusus.

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