quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Submersão.
Deveria ter escrito algumas mentiras em um pedaço gasto de papel, provavelmente reaproveitado de algum de seus desenhos bizarros, e ter lido em voz alta como se contasse-as a si mesmo. A falta de sentimentos e emoções tornava-se tão aparente, que muitas vezes havia se perguntado se não era na verdade um robô e que tinha se enganado por toda sua vida, mas a realidade que agora misturava-se com mais frequência às suas fantasias infantis, ainda era forte o suficiente para não o fazer acreditar em tal asneira. Doces manhãs foram aquelas em que acordava cedo para plantar as flores que avistava da janela, dedicou-se tanto amor a elas, mas agora, eram só fantasmas do que haviam sido, sobrando apenas caules moles e folhas secas destrinchadas lentamente por lufadas esporádicas de um vento frio e cortante como os pedaços de seu coração. Suas alegres musicas agora encontravam-se em um passado distante e fragmentado em sua memória, na verdade, sua própria mente parecia estar em um estado próximo. Naqueles dias recentes, era incapaz de acreditar em suas próprias lembranças, aquelas as quais tentavam desesperadamente motivá-lo e fazê-lo voltar daquele espaço estranho e distorcido chamado loucura que instaurava-se em seu interior. Naquela manhã, balbuciando palavras aleatórias, ele afogou-se em sua insanidade, um mar obscuro de lembranças, momentos, histórias e minutos vividos até agora, somados a uma mistura suja e decadente de ilusões, decepções e tristezas amargas. Não sabe-se ao certo o que aconteceu depois, afinal, dizem que nenhum humano costuma sobreviver a tal profundidade...
terça-feira, 8 de julho de 2014
Cartas.
Ele escreveu três cartas endereçadas a si mesmo. A primeira, para seu eu do passado, dizia que ele deveria se orgulhar do que seria no futuro, que deveria deixar seus tantos medos para trás e tentar se arriscar mais um pouco, algo que viria ser necessário no futuro e que se tivesse sido feito no tempo certo, teria salvo o coração de muitas tristezas e preservado os olhos de tantas lágrimas que viriam a ser derramadas. Dizia também para que tivesse coragem de encarar os desafios que surgiriam e que nunca se arrependesse de nada, pois erros sempre são formas de aprendizado.
A segunda carta, escreveu para seu eu do futuro, pedindo para que nunca se esquecesse de tudo de bom que viveu, das coisas ruins que o fizeram crescer, de todos os rumos e possibilidades que teve opção de tomar e escolher, dos amigos que fez, dos lugares que visitou, de todos os amores que teve e de tudo que aprendeu. podendo agora, descansar com toda a sabedoria que obteve.
Por último na carta endereçada ao seu eu do presente, ele apenas escreveu com letras garrafais um "Seja feliz" pois o que estava escrito naquela carta de qualquer forma, ficaria marcado em seu passado e deveria ser lembrada em todo seu futuro.
A segunda carta, escreveu para seu eu do futuro, pedindo para que nunca se esquecesse de tudo de bom que viveu, das coisas ruins que o fizeram crescer, de todos os rumos e possibilidades que teve opção de tomar e escolher, dos amigos que fez, dos lugares que visitou, de todos os amores que teve e de tudo que aprendeu. podendo agora, descansar com toda a sabedoria que obteve.
Por último na carta endereçada ao seu eu do presente, ele apenas escreveu com letras garrafais um "Seja feliz" pois o que estava escrito naquela carta de qualquer forma, ficaria marcado em seu passado e deveria ser lembrada em todo seu futuro.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
O jovem mago.
Muitos anos haviam passado desde que aquele jovem mago havia criado cada canto de Karamir, ele tinha com isso, crescido e mudado bastante. As únicas lembranças que ele ainda possuía de Karamir eram algumas pedras que ele recolheu minutos antes de deixar o mundo que havia criado para trás. Ele guardava essas pedras com muito amor e carinho já que além de serem lembranças, elas era únicas e era impossível de ser achar iguais no mundo que ele vivia. Mas o jovem mago ainda tinha um grande problema, já que por mais poderoso e sábio que tivesse se tornado, ele ainda continuava sentindo o vazio, como se algo faltasse em sua vida, e após muitas tentativas, acabou descobrindo que tal vazio era gerado por uma coisa chamada amor, que ele sendo tão sábio e considerando-se tão poderoso, desacreditava. Acabou então por decidir que deveria tentar tal absurdo, como ele dizia, e arriscou-se várias vezes na tentativa de encontrar o sentido do sentimento.
Por se achar tão superior, acabava por não encontrar nada nem ninguém que o completasse, pois suas expectativas para o amor eram altas e difíceis de serem contempladas por humanos comuns. Mais algum tempo se passou e mais fracassos e decepções assolavam o jovem mago, fazendo o se tornar mais frio do que o inverno mais rigoroso. Porém um dia, quando menos esperava, acabou por encontrar alguém que era muito parecido com ele. Eram tão parecidos que o jovem mago rapidamente apaixonou-se perdidamente esquecendo de todo o temor que possuía de mais uma vez acabar se decepcionando. Assim, ele animado e sem titubear, deu de presente as tais pedras que eram tão únicas para ele. Sabia que com isso as lembranças de Karamir iriam-se embora, mas ele realmente queria dividir algo tão precioso com alguém que aos poucos também tornava-se precioso e raro para ele. Com isso o mago acabou mesmo que sem querer, entregando também a pedra mais preciosa que ele possuía, a que carregava em seu peito e que para todos os outros era chamada de coração, torcendo para que nunca fosse devolvida novamente, já que a mesma já possuía algumas rachaduras e acabaria por quebrar-se caso isso viesse a acontecer.
Daquele momento em diante, pode-se dizer que o criador de Karamir, como todo seu poder, só desejava ser capaz de trazer seu igual para seu mundo e finalmente preencher o vazio que sentia. O resto da história ainda não pode ser contada, pois como grande parte do livro do mago, não terminou de ser escrita...
Por se achar tão superior, acabava por não encontrar nada nem ninguém que o completasse, pois suas expectativas para o amor eram altas e difíceis de serem contempladas por humanos comuns. Mais algum tempo se passou e mais fracassos e decepções assolavam o jovem mago, fazendo o se tornar mais frio do que o inverno mais rigoroso. Porém um dia, quando menos esperava, acabou por encontrar alguém que era muito parecido com ele. Eram tão parecidos que o jovem mago rapidamente apaixonou-se perdidamente esquecendo de todo o temor que possuía de mais uma vez acabar se decepcionando. Assim, ele animado e sem titubear, deu de presente as tais pedras que eram tão únicas para ele. Sabia que com isso as lembranças de Karamir iriam-se embora, mas ele realmente queria dividir algo tão precioso com alguém que aos poucos também tornava-se precioso e raro para ele. Com isso o mago acabou mesmo que sem querer, entregando também a pedra mais preciosa que ele possuía, a que carregava em seu peito e que para todos os outros era chamada de coração, torcendo para que nunca fosse devolvida novamente, já que a mesma já possuía algumas rachaduras e acabaria por quebrar-se caso isso viesse a acontecer.
Daquele momento em diante, pode-se dizer que o criador de Karamir, como todo seu poder, só desejava ser capaz de trazer seu igual para seu mundo e finalmente preencher o vazio que sentia. O resto da história ainda não pode ser contada, pois como grande parte do livro do mago, não terminou de ser escrita...
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Garota.
Ela estava cansada de ficar com as sobras de seu amor, ela não era adepta a esmolas. Não queria mais sentar na relva a noite, sentir a brisa noturna acariciando seus cabelos enquanto sua cabeça recostava no colo dela. Já encontrava-se cansada há muito tempo e agora começava a perceber tamanho desgaste que sua presença lhe fazia. Decidiu não montar sua árvore naquele Natal, não queria mais ver a maldita estrela no topo. Não quis pular as sete ondas no Ano novo pois não precisava de sorte, nunca acreditou nessas coisas. Naquela manhã nublada, ela não preparou seu café, e muito menos lhe disse adeus. Na verdade, ela nem sequer se mexeu na cama, e posso afirmar, que também não abriu os olhos quando viu as luzes acessas. A garrafa vazia da noite passada lhe fazia companhia ao lado da cama de casal, e honestamente, era a única companhia que realmente lhe importava. Ela não queria abrir as janelas, e muito menos te ver saindo do apartamento para o seu bendito trabalho. Na verdade, o que ela menos queria era ouvir você falar sobre o futuro que queria construir, algo que constantemente ecoava em sua cabeça. Por muito tempo, ela não quis nada, e agora, só queria poder ter te mandado embora a mais tempo.
Naquela tarde, quando ela finalmente abriu os olhos, agradeceu por lembrar que sua presença era apenas uma alucinação derivada das noites insanas e bêbadas que ela gostava tanto de ter depois que você partiu. Ela arrumou os cabelos ruivos num rabo de cavalo, acendeu um cigarro e o levou aos lábios ainda borrados de batom. Essa era a vida que ela tanto queria, perdida para muitos, mas totalmente encontrada para si mesma.
Naquela tarde, quando ela finalmente abriu os olhos, agradeceu por lembrar que sua presença era apenas uma alucinação derivada das noites insanas e bêbadas que ela gostava tanto de ter depois que você partiu. Ela arrumou os cabelos ruivos num rabo de cavalo, acendeu um cigarro e o levou aos lábios ainda borrados de batom. Essa era a vida que ela tanto queria, perdida para muitos, mas totalmente encontrada para si mesma.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Carta.
Eu gostaria de poder não ir, dizer algumas bobeiras e deitar ao seu lado, mas se eu ficar, estarei a todo momento pensando em partir e provavelmente seria incapaz de dizer adeus. Contaria as horas no relógio na parede da cozinha e por mais que eu saiba que não funciona mais, estaria sempre na hora de ir embora. Poderia simplesmente seguir tal rumo e aparecer em momentos aleatórios para um café com biscoitos, mas seu café é amargo e seus biscoitos caseiros são sempre queimados. Sei que é difícil partir mas meu gosto por aventuras é mais plausível do que sua pluralidade pra amores e paixões. Deixo-te na mesa apenas uma carta de despedida e meia dúzia de bonequinhos de papel, lembrança mais nítida de um passado tão presente para nós. Por fim, lhe digo que sentirei saudades, mas não daquelas que deveríamos matar ao nos reencontrarmos, afinal, faz tempo que nós dois cometemos um suicídio emocional.
PS: Se por ventura encontrar-me em tempo, diga que me ama e me acerte um tapa na cara, faria o mesmo se ainda fosse capaz de te ver.
PS: Se por ventura encontrar-me em tempo, diga que me ama e me acerte um tapa na cara, faria o mesmo se ainda fosse capaz de te ver.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Destrua-me.
Cace-me por noites afinco.
Me assombre por semanas,
Perturbe-me em meus sonhos,
Diga-me poucas verdades e encha-me de mentiras.
Apague-me e esqueça-me quando achar melhor.
Monte e desmonte-me quantas vezes você considerar necessário.
Morda-me e mastigue-me para provar da carne.
Torture-me e faça-me sangrar por sua diversão insana.
Misture-me com suas tintas e pinte-me abstrato, retorcido
Odeie-me se quiser
Mate-me se lhe for conveniente.
Faça-me sentir o inferno na pele
Desonre-me por puro prazer.
Deixe-me sozinho no escuro
Amaldiçoe-me por gerações.
Apenas não me faça apaixonar-me por ti.
Não seria capaz de aguentar tal sofrimento...
Me assombre por semanas,
Perturbe-me em meus sonhos,
Diga-me poucas verdades e encha-me de mentiras.
Apague-me e esqueça-me quando achar melhor.
Monte e desmonte-me quantas vezes você considerar necessário.
Morda-me e mastigue-me para provar da carne.
Torture-me e faça-me sangrar por sua diversão insana.
Misture-me com suas tintas e pinte-me abstrato, retorcido
Odeie-me se quiser
Mate-me se lhe for conveniente.
Faça-me sentir o inferno na pele
Desonre-me por puro prazer.
Deixe-me sozinho no escuro
Amaldiçoe-me por gerações.
Apenas não me faça apaixonar-me por ti.
Não seria capaz de aguentar tal sofrimento...
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Photophobia.
A claridade quase sempre feriu minha visão. Não vi mais o mundo com o mesmo brilho depois da minha infância na qual não lembro se as luzes já me incomodavam ou se tornei a sofrer com isso conforme crescia. Me acostumei a ver a vida com o tom esverdeado das lentes dos meus óculos escuros. Não fui capaz de ver as cores com a mesma nitidez que todos os outros veriam e talvez isso tenha mudado a forma como percebo as coisas que vejo. Muitas vezes acabei torturando-me por questão de esquecimento, ao sair com os olhos desnudos em dias de sol, nos quais quase ninguém teria problema em sair. Outras tantas reclamei do sol e em algumas deixei de viver o mundo lá fora, por preguiça de encarar o que tanto me incomoda. Toda e qualquer luminosidade exagerada me incomoda, mas é apenas no brilho dos seus olhos que encontro toda luz que não sou capaz de enxergar.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Partition
Tenho pedido por noites insanas, daquelas que vivemos raras vezes mas que ficam inesquecíveis e sempre se tornam assunto em rodas de bares com amigos bêbados. Tenho implorado por motivos para visualizar um horizonte mais limpo, sem toda essa névoa a qual estou acostumado a ver. Venho escrevendo sobre amores impossíveis pra quem sabe, dar a sorte de encontrar o meu. Canto canções felizes para evitar a tristeza. Tenho enganado o futuro, mentido pro destino e trapaceado a sorte, para poder ganhar mais tempo pra decidir o que fazer. Acredito que sou feito de peças, partes, verdades e incertezas, só para não perder a fé na minha própria humanidade. Tomo porres na madrugada já que a realidade é embrigada e distorcida, e não sou obrigado a vivê-la sóbrio. Escrevo cartas de mentira para pessoas inexistentes, pelo simples prazer de não obter respostas. Acumulo pecados apenas para ter do que me arrepender nas noites de solidão. Tenho complicado minha vida só para ter do que reclamar e me apaixono só para ter do que sofrer. Creio para ter no que descrer e me desmonto para ter a graça de remontar. Vivo afinal em busca de novas vidas, mesmo que essas tenham pouca duração e me façam buscar por outras. Na conclusão, todos vivemos assim, numa busca eterna por motivos e encaixes para as peças que nos faltam, peças que cada vez que achamos, precisamos de outra que ainda não possuímos, ou que simplesmente não terão o encaixe correto.
Esse texto é pra você, que como eu, é incompleto mas que fingi não ser.
Esse texto é pra você, que como eu, é incompleto mas que fingi não ser.
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