sexta-feira, 7 de março de 2014

Partition

Tenho pedido por noites insanas, daquelas que vivemos raras vezes mas que ficam inesquecíveis e sempre se tornam assunto em rodas de bares com amigos bêbados. Tenho implorado por motivos para visualizar um horizonte mais limpo, sem toda essa névoa a qual estou acostumado a ver. Venho escrevendo sobre amores impossíveis pra quem sabe, dar a sorte de encontrar o meu. Canto canções felizes para evitar a tristeza. Tenho enganado o futuro, mentido pro destino e trapaceado a sorte, para poder ganhar mais tempo pra decidir o que fazer. Acredito que sou feito de peças, partes, verdades e  incertezas, só para não perder a fé na minha própria humanidade. Tomo porres na madrugada já que a realidade é embrigada e distorcida, e não sou obrigado a vivê-la sóbrio. Escrevo cartas de mentira para pessoas inexistentes, pelo simples prazer de não obter respostas. Acumulo pecados apenas para ter do que me arrepender nas noites de solidão. Tenho complicado minha vida só para ter do que reclamar e me apaixono só para ter do que sofrer. Creio para ter no que descrer e me desmonto para ter a graça de remontar.  Vivo afinal em busca de novas vidas, mesmo que essas tenham pouca duração e me façam buscar por outras. Na conclusão, todos vivemos assim, numa busca eterna por motivos e encaixes para as peças que nos faltam, peças que cada vez que achamos, precisamos de outra que ainda não possuímos, ou que simplesmente não terão o encaixe correto.

Esse texto é pra você, que como eu, é incompleto mas que fingi não ser.

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