quinta-feira, 24 de abril de 2014

Garota.

Ela estava cansada de ficar com as sobras de seu amor, ela não era adepta a esmolas. Não queria mais sentar na relva a noite, sentir a brisa noturna acariciando seus cabelos enquanto sua cabeça recostava no colo dela. Já encontrava-se cansada há muito tempo e agora começava a perceber tamanho desgaste que sua presença lhe fazia. Decidiu não montar sua árvore naquele Natal, não queria mais ver a maldita estrela no topo. Não quis pular as sete ondas no Ano novo pois não precisava de sorte, nunca acreditou nessas coisas. Naquela manhã nublada, ela não preparou seu café, e muito menos lhe disse adeus. Na verdade, ela nem sequer se mexeu na cama, e posso afirmar, que também não abriu os olhos quando viu as luzes acessas. A garrafa vazia da noite passada lhe fazia companhia ao lado da cama de casal, e honestamente, era a única companhia que realmente lhe importava. Ela não queria abrir as janelas, e muito menos te ver saindo do apartamento para o seu bendito trabalho. Na verdade, o que ela menos queria era ouvir você falar sobre o futuro que queria construir, algo que constantemente ecoava em sua cabeça. Por muito tempo, ela não quis nada, e agora, só queria poder ter te mandado embora a mais tempo.
Naquela tarde, quando ela finalmente abriu os olhos, agradeceu por lembrar que sua presença era apenas uma alucinação derivada das noites insanas e bêbadas que ela gostava tanto de ter depois que você partiu. Ela arrumou os cabelos ruivos num rabo de cavalo, acendeu um cigarro e o levou aos lábios ainda borrados de batom. Essa era a vida que ela tanto queria, perdida para muitos, mas totalmente encontrada para si mesma.

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