Tempos atrás éramos crianças, daquelas bobas que brincavam de bonecos, que rabiscavam as paredes e que não ligavam para o mundo cinzento e dramático que nos aguardava lá fora. Eram bom aqueles tempos, não haviam preocupações, só bolo, sorvete e mel, entre outras coisas tolas as quais crianças se divertem e se fazem alegres. Lembro-me de conversarmos entre doces e balas de como gostaríamos de crescer, e de tudo que iríamos fazer quando fossemos adultos. Ledo engano nosso, crianças sempre aguardam felizes pelo pior. Enfim crescemos, e com isso pudemos perceber que nem sempre no final do arco-iris existia o bendito pote de ouro e que na maioria das vezes, acabava terminando no velho escuro o qual tanto temíamos quando mais novos. Com a idade vieram as responsabilidades, as dificuldades, os amores, os desafios, e os monstros do passado e que agora, se esconder embaixo das cobertas e esperar alguns minutos não os faria ir embora. Sabe, mesmo com tudo isso, acho que foi legal crescer. Mesmo com tudo que precisamos enfrentar agora, as crianças que fomos a anos atrás foram capaz de aprender a viver e a encarar o mundo de forma boa, mas sempre com um pouco dos olhos que víamos o mundo antigamente.
Quem sabe a gente cresça mas sempre exista em algum lugar dentro de nós, um pouco daquela criança que já fomos.
Ps: Ainda gosto de rabiscar em paredes, sei lá, acho emocionante e bonito para os olhos.
sábado, 25 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Mesmices de um dia igual.
Talvez você não tivesse que ir embora naquele dia, poderia ter ficado mais e esperado eu cantar canções de amor em voz alta e rezado para que o vento levasse nossas mágoas embora. Quem sabe pudesse ter contado os minutos que passavam correndo, brincalhões, em nossas vidas e ter implorado para que não fizessem tanta bagunça. Já eu, deveria ter te dito o quão feliz estava com sua presença e te deixar comer as bolachas do pote, enquanto eu roubava algumas colheradas de um mel de abelhas furiosas como um urso bobão. E se ao menos conseguíssemos contar nos dedos as vezes as quais nos magoamos, provavelmente teríamos rido e sido mais felizes. Tentaríamos não congelar no frio que faz lá fora e tenho certeza que eu acabaria cantando "Baby, it's cold outside", e você reclamaria da minha voz e que deveríamos ter ficado do lado de dentro, abraçados, enquanto assistíamos um daqueles filmes bobos de amor que me deprimem. E se ao menos eu fosse capaz eu te mostraria que o mundo não é tão difícil e cinzento o quanto parece e que você não tem nada a perder se pegar a caixa de lápis de cor que te ofereço agora.
E assim a gente segue a trancos e barracos experimentando o gosto diferente que a vida nos da uma provinha agora.
PS: Eu sempre soube que você gostaria das almofadinhas nas minhas patas =D
E assim a gente segue a trancos e barracos experimentando o gosto diferente que a vida nos da uma provinha agora.
PS: Eu sempre soube que você gostaria das almofadinhas nas minhas patas =D
terça-feira, 14 de maio de 2013
Garoto.
Entre um texto e outro, a garota do passado lúgubre e cansado encontra-se com o rapaz jovial e brilhante que agora habitava aquele espaço e que aos poucos fazia mudanças leves mas bem definidas na mobília daquela mente conturbada e um tanto problemática. Ficaram encarando-se por um longo período, período esse que para ambos pareceu uma eternidade. Ninguém sabe o que passava pela cabeça deles. Panquecas, sim panquecas, era o que ambos chegaram a conclusão de queriam comer. Não das normais como as que minha mãe faz para um almoço de quem sabe uma quarta feira, mas daquelas que apenas em dias frios com chocolate quente e muitas ternurinhas devem ser comidas. Quem sabe acompanhadas de um feriado muito branco já que a névoa deveria encobrir a cidade sendo capaz até de esconder aquele casal de idosos que aprontava ousadias em plena luz do poste da cidade. Entre uma garfada e outra, os garotos comiam a grande torta de morangos silvestres que possuía um gosto de mundo, Júpiter e um pouco doce como Marte. Quando se deram conta, já era a hora de observarem as estrelas cascudas e sem brilho como o gloss da menina que se maquiava a poucos metros de distancia. Exclamações a parte, os dois gostavam de assistir a filmes de terror trash, daqueles que são óbvios e mal feitos, com falas ruins e cenário afetado, com sangue de mentira e lobisomens de borracha. Na verdade sempre foi do agrado colher goiabas e pitangas no quintal, ela se sentia comendo frutas com gosto de um pé de amor.
Mesmos.
Ambos acordaram provavelmente na mesma hora, no mesmo instante quem sabe, mas em lugares diferentes. Enquanto um coçava os olhos, o outro afagava a própria cabeça pensando no que fazer. O mais velho tomava chá gelado de frutas vermelhas, o mais novo, café. O loiro mastigava algumas bolachas recheadas, já o moreno, escovava os dentes. Um tinha um sotaque engraçado, o outro se dizia complicado. O mais alto se sentia uma criança crescida, o mais baixo também. Enquanto o primeiro lia algumas bobeiras em seu feed de notícias, o outro acendia um cigarro. Riram ao mesmo tempo de bobeiras que lembravam ou até de deboches da noite passada. O mais magro talvez estivesse se apaixonando, já o outro, quem saberia dizer? No final, tudo poderia ser tão igual mesmo sendo tão diferente. Afinal, haviam apenas acordado em lados opostos da cama...
sexta-feira, 10 de maio de 2013
E aí vou eu.
Eu poderia escrever um texto dizendo o quanto eu me sinto péssimo, o quanto é dificil pra mim isso tudo. Mas não, eu sou mais que isso, eu tenho um universo dentro de mim, e cada parte mínima desse universo transborda com milhões de luzinhas e mesmo não sendo natal, acho que é o momento de deixar elas brilharem timidamente enquanto enfeitam meus sonhos. E dessa vez, prometo a mim mesmo, as grandes florestas de Níria ouvirão novamente meus risos enquanto vejo o vento soprar entre os galhos.
De agora em diante não vou esperar o mundo mudar, quero ser a mudança, afinal eu sempre fui mais mágico que os unicórnios e duendes.
Mundo, prepare-se voltarei a correr selvagem e feliz pelas colinas da vida.
Dias mais azuis virão, garoto, mas você sempre preferiu o vermelho, então pinte o mundo com suas cores.
De agora em diante não vou esperar o mundo mudar, quero ser a mudança, afinal eu sempre fui mais mágico que os unicórnios e duendes.
Mundo, prepare-se voltarei a correr selvagem e feliz pelas colinas da vida.
Dias mais azuis virão, garoto, mas você sempre preferiu o vermelho, então pinte o mundo com suas cores.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Comprimidos para vida.
Ele lia aquelas frases sentindo a dor em seu peito, dor aquela que já era velha conhecida. Tentou mudar as coisas, ajustar os problemas, se culpar por tudo, pobre garoto com suas tentativas em vão. Não era capaz de chorar, sabia que se derrubasse algumas lágrimas, todo o resto que segurava com esforço tombaria e acabaria o soterrando em suas incerteza, deixando-o entregue aos próprios demônios. Na playlist, suas malditas músicas depressivas, as mesmas que em tantos momentos fizeram-no companhia. Malditos arianos pensou consigo mesmo, enquanto levantava-se da cama e xingava o mundo, quem sabe todos que nele viviam também. Hoje seria um dia daqueles difícil de engolir, como aqueles comprimidos para dores de cabeça gigantes, daqueles que entalam na garganta e que deixam um gosto amargo na boca, daqueles que sabemos que ao tomar, demora para passar a dor, mas que quando faz o efeito, nem lembra-se que doía. Novamente, hoje era um daqueles dias em que ele preferia não existir...
Quer saber? Que seja. Tenho muitos mundos para escrever e muito heróis para desenhar.
Quer saber? Que seja. Tenho muitos mundos para escrever e muito heróis para desenhar.
Karamir
Lembro de minha primeira viagem a Karamir. Aliria e Erdis não esperavam por mim, mas mesmo assim foram simpáticos e receptivos. Os gêmeos me convidaram para sentar e prepararam um delicioso café da tarde enquanto contavam-me sobre o recente aparecimento de Edgard e de que provavelmente ele seria o novo herói que salvaria Karamir como havia acontecido a 640 anos antes. Perguntei se possuíam certeza de que seria ele e obtive um não como resposta. Pude perceber uma certa alteração por parte de Erdis quando falava de Edgard e citava suas características e personalidade, talvez Erdis estivesse sentindo algo a mais pelo garoto, e ao olhar para Aliria, tive minha confirmação pelo sim que ela fez com a cabeça. Aliria sempre foi boa em entender sentimentos e em ler os pensamentos dos outros.
Aliria perguntou como andava minha vida, ela parecia preocupada, provavelmente já tendo percebido que eu não andava muito bem. Antes que eu pudesse responder, ela levantou-se calmamente de sua cadeira na mesa em que nos encontrávamos sentados e encaminhou-se a mim, abraçando-me. Aproximando-se de minha orelha, sussurrou sobre o quanto eu era parecido com Briennel e o quanto Kaleb andava feliz desde que eu havia o mandado para Karamir. Disse que provavelmente eu o encontraria se ficasse mais um pouco.
Com algumas lágrimas nos olhos, abracei-a também dizendo que não poderia ficar e esperar o pequeno Kaleb, não queria que ele chorasse e nem que ficasse pensando em mim. Sentia-me feliz em saber o quanto meu pequeno e amado estava feliz desde que livrei-o dos problemas que a maturidade nos trouxe. Viver com ele os problemas para os quais ele não era preparado o entristecia e logo o fazia sofrer, deixá-lo sob os cuidados de Aliria era minha unica forma de salvá-lo do que aos pouco eu me tornava, mesmo nos tempos ruins em que Karamir encontrava-se.
- Ele provavelmente deve estar brincando com as fadas restantes do bosque; falou Erdis sorrindo tentando me alegrar. - Ele fez grandes amigos; acabei não me contendo e chorando o que a bastante tempo havia dentro de mim. Naquele momento, percebi que já era o momento de minha partida. Minha primeira e única visita a Karamir, desde que eu havia criado-a. Enxuguei as lágrimas e tirei a pequena chave que carregava comigo desde antes da criação de Karamir. Peguei as delicadas mãos de Aliria e depositei lentamente a chave entre elas.
- Por favor, entreguem a chave do Ermo para Kaleb, ele saberá o que fazer. Agora, se não for pedir muito gostaria de ouvir uma de suas doces canções; Aliria concordou e puxou uma pequena e prateada flauta do bolso de suas vestes.
- Adeus; falaram os gêmeos ao mesmo tempo. - Mande lembranças ao Lusus, diga que o aguardamos para uma visita e um chá; e falando isso ambos me abraçaram, e logo em seguida, Aliria levou a flauta aos lábios soando sua doce e hipnotizante música.
Novamente senti as lágrimas encherem meus olhos, talvez as mesmas que sinto ao escrever para vocês esse pequeno fragmento de uma visita ao meu amado mundo. Não saberia quando voltaria ali novamente. Me preocupava com a guerra iminente que a minha própria corrupção humana havia enraizado no núcleo de Karamir enquanto eu criava-a, que havia tentado sufocá-la duas vezes em tempos passados e que provavelmente a terceira se aproximava. Mas me senti feliz em saber que Kaleb, Aliria e Erdis encontravam-se bem e que esse garoto, Edgard, provavelmente seria capaz de salvar aquilo que eu mesmo havia deixado a mercê da sorte.
Lembranças de Aliria e Erdis, quem sabe de Kaleb também, ao meu querido amigo Lusus.
Aliria perguntou como andava minha vida, ela parecia preocupada, provavelmente já tendo percebido que eu não andava muito bem. Antes que eu pudesse responder, ela levantou-se calmamente de sua cadeira na mesa em que nos encontrávamos sentados e encaminhou-se a mim, abraçando-me. Aproximando-se de minha orelha, sussurrou sobre o quanto eu era parecido com Briennel e o quanto Kaleb andava feliz desde que eu havia o mandado para Karamir. Disse que provavelmente eu o encontraria se ficasse mais um pouco.
Com algumas lágrimas nos olhos, abracei-a também dizendo que não poderia ficar e esperar o pequeno Kaleb, não queria que ele chorasse e nem que ficasse pensando em mim. Sentia-me feliz em saber o quanto meu pequeno e amado estava feliz desde que livrei-o dos problemas que a maturidade nos trouxe. Viver com ele os problemas para os quais ele não era preparado o entristecia e logo o fazia sofrer, deixá-lo sob os cuidados de Aliria era minha unica forma de salvá-lo do que aos pouco eu me tornava, mesmo nos tempos ruins em que Karamir encontrava-se.
- Ele provavelmente deve estar brincando com as fadas restantes do bosque; falou Erdis sorrindo tentando me alegrar. - Ele fez grandes amigos; acabei não me contendo e chorando o que a bastante tempo havia dentro de mim. Naquele momento, percebi que já era o momento de minha partida. Minha primeira e única visita a Karamir, desde que eu havia criado-a. Enxuguei as lágrimas e tirei a pequena chave que carregava comigo desde antes da criação de Karamir. Peguei as delicadas mãos de Aliria e depositei lentamente a chave entre elas.
- Por favor, entreguem a chave do Ermo para Kaleb, ele saberá o que fazer. Agora, se não for pedir muito gostaria de ouvir uma de suas doces canções; Aliria concordou e puxou uma pequena e prateada flauta do bolso de suas vestes.
- Adeus; falaram os gêmeos ao mesmo tempo. - Mande lembranças ao Lusus, diga que o aguardamos para uma visita e um chá; e falando isso ambos me abraçaram, e logo em seguida, Aliria levou a flauta aos lábios soando sua doce e hipnotizante música.
Novamente senti as lágrimas encherem meus olhos, talvez as mesmas que sinto ao escrever para vocês esse pequeno fragmento de uma visita ao meu amado mundo. Não saberia quando voltaria ali novamente. Me preocupava com a guerra iminente que a minha própria corrupção humana havia enraizado no núcleo de Karamir enquanto eu criava-a, que havia tentado sufocá-la duas vezes em tempos passados e que provavelmente a terceira se aproximava. Mas me senti feliz em saber que Kaleb, Aliria e Erdis encontravam-se bem e que esse garoto, Edgard, provavelmente seria capaz de salvar aquilo que eu mesmo havia deixado a mercê da sorte.
Lembranças de Aliria e Erdis, quem sabe de Kaleb também, ao meu querido amigo Lusus.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Para a eternidade.
Ele apenas queria viver para sempre, ser eterno. Sentia um desejo um tanto quanto estranho pela imortalidade, pelo fato de poder ver todos aqueles que odiava, e quem sabe até os que amava e amou, serem levados para a outra vida. A imortalidade em si não era o principal, talvez houvesse nele, um medo de não ser lembrado. A imortalidade não era algo possível, buscar pela fonte da juventude ou enforcar-se nos galhos da grande Yggdrasil estavam fora de cogitação, quem sabe tornar-se um vampiro, não como daqueles filmes românticos sobre vampiros apaixonados mas sim daqueles que fazem questão de drenar cada segundo da vida de suas vítimas, talvez pedir para que fosse mumificado após sua morte, ou morrer em uma uma floresta de pinheiros e torcer para que fosse fossilizado em âmbar. Passava dias inteiros pensando na melhor forma de "viver para sempre", e com isso, passou a anotar e descrever tudo. Dias, meses e anos se passaram e com isso a vida dele também, ele cresceu, mudou, envelheceu, mas sempre com a mesma vontade. Certo dia, após sua morte, fato que não demorou muito a acontecer (o tempo nunca foi caridoso com os ambiciosos) seus filhos acabaram por publicar suas anotações feitas através dos anos. Dessa forma, finalmente, ele conseguiu o que tanto queria, mas passou tanto tempo procurando formas mirabolantes que nunca pensou que poderia se tornar um imortal através das palavras. Palavras as quais ele sempre teve domínio...
Ao meu ver, ter alguem fossilizado em âmbar, seria algo legal para decoração de uma sala...
Ao meu ver, ter alguem fossilizado em âmbar, seria algo legal para decoração de uma sala...
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