Desde pequeno me foi negado o saber de quem eu era. Me impediam de entender o que eu sentia e o motivo de me sentir deslocado de todos os outros. Cegavam-me diante minha verdadeira natureza e me faziam me sentir menor por algo que eu ainda nem entendia ser. Enquanto crescia, senti que algo dentro de mim queria ser solto, buscava aceitação e liberdade, mas por medo, eu mantinha esse algo escondido. Ouvia mal dizeres sobre as tais bestas que eram excluídas por uma falsa humanidade moralista dos meus repressores, e por muitas vezes, acabei seguindo aquilo que me era dito. Até não aguentar mais e finalmente ser capaz de entender o que vivia em mim. Eu era como uma das bestas. Me perdi em mim mesmo até conseguir aceitar que eu não devia mais me privar de ser quem eu realmente era, medo, angústia e tristeza ecoavam em minha mente por saber que eu faria parte daqueles que tanto vi e ouvi serem apontados com maldade. Enfim abracei e fui abraçado pelos meus, me senti parte das feras e pude finalmente entender que éramos apenas diferentes, não menores ou piores. Corri a princípio com passos leves, apenas acompanhando de longe os outros que haviam a mais tempo, aceitado seu interior, e logo, estava correndo entre eles, bradando por minha liberdade e vida, uivando nossas vontades e anseios. Somos todos lobos. A lua no alto nos diz que a caçada aos nossos está prestes a encerrar. Vocês não podem mais nos matar. Nós somos as feras e não seremos mais às presas...
Nenhum comentário:
Postar um comentário