domingo, 21 de julho de 2019

Nunca mais.

Já nem era tarde, mas não era dia. Eu permanecia parado em um momento no tempo que talvez nem soubesse mais como continuar e mesmo que eu tentasse, ainda estava ali.
Você vinha sem mais nem menos, batia na porta e dizia adeus, e eu estagnado, ficava vidrado sem dizer os meus.
 Era como se nada mais importasse, você vinha com suas asas quebradas, dizendo palavras que eu não podia entender. Já não era humana, e muito menos a mesma, era só lembrança que não pude esquecer.
E eu ainda frio, no meio da noite, procurava ajuda num refrão de amor.
Dois estranhos, parados frente a frente. Você com seu jeito forte e eu meio sem sorte, com a cabeça tonta, cheio de mistérios, sem saber porque.
Eu já nem lembrava dos seus medos, dos seus temores, nem você dos afagos e dos meus amores. Novamente estranhos, sem mais nada a ter.
Mas ainda insisto, tento erguer mil pontes, mesmo sem saber, que do outro lado, você insiste em destruí-las sempre.
Dessa vez, vejo tudo de longe, vejo a vida indo e também vou seguindo.
 Eu te vi sorrido.
E eu estive chorando.
Sem mais sofrimento.
Vou te desamando.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Hunting moon

Desde pequeno me foi negado o saber de quem eu era. Me impediam de entender o que eu sentia e o motivo de me sentir deslocado de todos os outros. Cegavam-me diante minha verdadeira natureza e me faziam me sentir menor por algo que eu ainda nem entendia ser. Enquanto crescia, senti que algo dentro de mim queria ser solto, buscava aceitação e liberdade, mas por medo, eu mantinha esse algo escondido. Ouvia mal dizeres sobre as tais bestas que eram excluídas por uma falsa humanidade moralista dos meus repressores, e por muitas vezes, acabei seguindo aquilo que me era dito. Até não aguentar mais e finalmente ser capaz de entender o que vivia em mim. Eu era como uma das bestas. Me perdi em mim mesmo até conseguir aceitar que eu não devia mais me privar de ser quem eu realmente era, medo, angústia e tristeza ecoavam em minha mente por saber que eu faria parte daqueles que tanto vi e ouvi serem apontados com maldade. Enfim abracei e fui abraçado pelos meus, me senti parte das feras e pude finalmente entender que éramos apenas diferentes, não menores ou piores. Corri a princípio com passos leves, apenas acompanhando de longe os outros que haviam a mais tempo, aceitado seu interior, e logo, estava correndo entre eles, bradando por minha liberdade e vida, uivando nossas vontades e anseios. Somos todos lobos. A lua no alto nos diz que a caçada aos nossos está prestes a encerrar. Vocês não podem mais nos matar. Nós somos as feras e não seremos mais às presas... 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Yellow watcher

Você vem tão claro que quase me cega.
Me enche de algo que já nem lembrava o que era.
Me tira do plano e me joga pro alto.
Faz com que meu peito entre em uma balada frenética, mudando sem pena, o bater do coração.
A tipografia perfeita dos seus dedos timidamente contra minha pele.
Num misto de curiosidade e medo por querer  desbravar mais do que vê.
Inebriado, me perco em decifrar seu jeito, buscando sinais, como hieróglifos enigmáticos.
Uma repetição de gestos e olhares que me dizem que há algo a ser notado.
Talvez você tenha me deixado marcado e ansioso por descobrir mais sobre seu mundo...

Quem sabe amarelo seja uma cor legal.