Sob um picadeiro sujo e envelhecido, mais um show entristecido.
O mestre de cerimônias e também domador tornou-se um ser decadente e
agora implora para que um de seus leões velhos o devore no momento em que coloca a cabeça em suas bocas.
O palhaço que outrora tanto fez rir, enlouquecido pela falta de risos, agora tenta a graça com piadas sádicas e com finais trágicos, evidenciando a loucura que o tomou faz anos.
Já os malabaristas, à tempos perderam seus malabares e incapazes de manterem objetos no ar, mantem suas mentes, através de grandes doses de entorpecentes.
Dos equilibristas, nada sobrou, e entre goles de bebida barata, notava-se todo o desequilíbrio e desordem mental que possuíam agora.
Mas meus caros, o que dizer da platéia, do público que nunca se contentou com pouco? Ah, sim. Agora eles riam, deliciavam-se com tal espetáculo de vida infeliz, afinal por todo esse tempo, o que eles mais queriam era ver o circo pegar fogo.

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