Tiago não gostava de falar sozinho, já faziam uns 6 ou 7 minutos que ele tentava falar a dificuldade que estava tendo em escrever um artigo para a faculdade e Mateus simplesmente não o respondia, tendo sua atenção totalitariamente voltada para o videogame, jogava algum jogo que para Tiago era bobo e sem sentido, deixando-o mais irritado com o que para ele era um desprezo total por parte do outro. Não aguentando mais a situação, caminhou em direção ao videogame, apertou o botão para desligá-lo e encarou Mateus firmemente. O moreno falou uma sequência rápida de palavrões e fechou a cara, fazendo com que o ruivo se controlasse para não jogar o console pela janela, coisa que já havia acontecido com o controle da televisão uns meses atrás. Tiago deu alguns rosnados e rumou para seu quarto, preferiu evitar uma briga maior naquele dia, afinal já não estava tendo seu melhor dia daquela semana. Mateus pensou em religar o jogo mas foi mais humano e puxou o notebook que o outro havia deixado sobre a mesa de centro da sala, abriu o artigo e o leu algumas vezes e começou a arrumar algumas coisas e adicionar outras, uns 20 minutos depois, após ter terminado, bateu na porta do quarto do outro e mesmo sem receber autorização para entrar, invadiu o quarto, Tiago como sempre, encontrava-se deitado no chão do quarto, olhos fechados, fones no ouvido, resmungando coisas inaudíveis em meio a bagunça tradicional do ambiente. Mateus deitou-se do lado, e mordiscou a orelha do outro carinhosamente, Tiago abriu os olhos e virou-se para o lado encarando-o e beijando-o logo em seguida, um beijo daqueles de tirar o fôlego e que logo seria o início para algo mais, algo para o qual ambos estavam direcionados ao começarem a tirar rapidamente as camisetas e ficarem com os corpos semi-nus. Pouco a pouco, as outras peças de roupa foram sendo realocadas, do corpo para partes aleatórias do quarto. Não foi preciso um pedido de desculpas concreto, o simples fato dos corpos estarem ali, juntos, trocando calor já significava algo muito maior do que palavras bobas utilizadas em pedidos de perdão. Algum tempo depois, levantaram e decidiram pedir pizza, brigaram por alguns minutos na escolha do sabor, e antes que digam algo sobre pizzas poderem ter mais de um sabor, Tiago e Mateus gostavam de um monopólio sobre o sabor da pizza, então, naquela noite, Mateus como quase sempre acontecia, ganhou no par ou ímpar e ficou com a escolha, mas escolheu os sabores do outro para fazer um agrado. Não é necessário dizer como Tiago ficou feliz em ver que o outro havia praticamente escrito todo o artigo para ele e em ler o pequeno post script deixado no final: "Acho que amo você, ruivo sem alma."
Naquela noite, a janta teve um gosto diferente, uma mistura do sabor da pizza com o amor que ambos começavam a admitir sentir...
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
8 ou 80: 1ª Parte.
Mateus contou até três algumas vezes, nunca se soube dizer quantas, ele sempre contava mais rápido do que as pessoas comuns, já Tiago cantarolou o pedaço de alguma música pop fingindo não prestar atenção no que o outro queria lhe dizer, no intuito de evitar uma briga, mesmo sabendo que ao fazer aquilo, o irritaria mais ainda. Era difícil de se dizer qual dos dois era mais pirracento, não só pelo fato de ambos nunca aceitarem estar errado, mas também por serem do signo de Áries. Tiago levantou-se do sofá e parou cara a cara com Mateus. Ficaram por um bom tempo encarando-se até que de tão sério, Mateus foi incapaz de conter o riso e deu um soco de leve no ombro do outro. Tiago era mais alto, de cabelos num tom ruivo e olhos verdes, Mateus tinha cabelos castanhos e bagunçados que ficavam realmente combinando com seus olhos da mesma cor quando fazia cara feia. Por mais que soubesse que apenas tinha evitado a explosão momentânea, Tiago respirou fundo, riu e sentou-se novamente no sofá. O convívio dos dois era um tanto problemático, Mateus sempre era cuidadoso e metódico com as coisas enquanto o ruivo era realmente relaxado e não se importava de deixar as roupas largadas pela casa e muito menos tinha a preocupação de arrumar a cama, uma das coisas que fazia o outro contar muitas vezes até três. No princípio, viviam entre brigas e destruição de coisas e provavelmente foi numa dessas que acabaram descobrindo o gosto que o outro tinha, não que fizessem isso anteriormente, mas como Tiago dizia, às vezes coisas acontecem e acabam por continuar acontecendo. Não era um namoro, e nem estava perto disso, não costumavam dormir juntos e muito menos passar horas como casais fariam, assistindo filmes românticos ou trocando mensagens bobas durante o dia, eles eram como amigos, que tem algo a mais sem definição, não que Mateus não tivesse procurado opiniões de alguns amigos e amigas mais íntimos, que por sinal achavam os dois fofos juntos. Um fazia Física e o outro Filosofia, e isso também era motivo para discussão. Muitas vezes, em meio a discussões decidiam por não se falarem mais e que um dos dois procuraria outro lugar para morar, mas sempre voltavam atrás e ficavam por horas abraçados resmungando coisas fofas e que não falariam se não tivessem chegado a tal ponto. Naquele dia não foi diferente, após sentar-se no sofá, Tiago pediu uma tigela de sucrilhos, colocou os pés sobre a mesinha de centro esperando o outro servi-lo e sorriu feito criança ao receber seus cereais com um beijo de desculpa na testa. Já Mateus, após o beijo acendeu um cigarro, foi para a varanda do apartamento e agradeceu pelo dia de sol e pela boa companhia que teria naquele dia. Seria um bom começo de verão naquele ano...
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