quinta-feira, 14 de abril de 2011

Princípio ilusório de uma mente inversa. Conclusão

Ele não sabia ao certo quando começou a se descontrolar, sua frieza sempre o manteve são, mas pelo visto, a realidade do mundo começou a perturbá-lo. Ele já não era capaz de suportar assistir a discursos sobre uma igualdade que não existia, o mundo no qual vivia era dominado pelos fortes, os fracos mantinham-se controlados, alguns até falavam sobre a busca pelos seus direitos, mas os seres humanos são sedentários e alienados, até ele mesmo sabia que era um dos comandados. Lembrou-se de quando leu sobre “A Alegoria da Caverna” de Platão era exatamente o que ocorria em sua realidade, ninguém buscava tentar ver o que eram as tais sombras, aceitavam aquilo como verdade e os poucos que saiam daquele abismo de ilusões e enfim enxergavam a realidade, passavam a ser excluídos pelo seu grupo e silenciados pelos que comandavam. Foi quando ele começou a perceber que não era apenas mais um, lutou contra tudo e todos, tornou-se um rebelde, mas esses pensamentos só existiam em um lado de sua mente, já o outro era como o resto dos humanos, fraco, alienado e comodista, negava-se a lutar por si mesmo e muito menos pelos outros. Era a prova de que todos os humanos são egoístas em seu íntimo. Com a mente em confronto ele e eu passamos a dividir um mundo em nosso corpo, era fácil ter mais controle, ele começava a fraquejar pela falta de pessoas que pensavam da mesma forma enquanto eu me fortalecia com ajuda dos “falsos pensantes” que existiam ao meu redor. Aos poucos, fraco e cansado, ele começou a ser apagado, mas em mim uma nova visão começava a surgir, comecei a me questionar sobre as diferenças que existiam, as injustiças que eu via, a dor que pertencia aos fracos. Mas já era tarde, ele já quase não existia, havia afundado no abismo das incertezas, aquele mesmo abismo que todos nós possuímos e que fazemos questão de manter na parte mais funda de nossa mente. Chovia bastante naquela noite...

Nenhum comentário:

Postar um comentário