Eu poderia fazer um post apenas sobre a Páscoa e tudo mais, mas graças a algo que me aconteceu hoje, postarei algo mais reflexivo, aí vai.
Hoje me ocorreu uma situação na qual realmente fiquei sem saber como reagir. Desde o começo de março, venho doando caixas de leite para um orfanato próximo da onde eu moro (tá não é tão perto, mas meu pai me leva de carro lá), bom essa semana meu pai decidiu que daria alguns chocolates para as crianças, uma lembrancinha para não passar a Páscoa em branco então fomos lá entregar hoje, admito que fui com certa relutância, não estava nem um pouco afim de ir até lá entregar nada. Quando cheguei para entregar, uma das mulheres que trabalham lá veio me atender e junto a ela umas cinco crianças pequenas, a mais velha deveria ter uns 11 anos no máximo. Bom, nas outras vezes que tinha ido lá nunca tinha tido contato com as crianças, sou meio fraco com isso, prefiro não ter contato para não me apegar, mas infelizmente isso não foi possível, as crianças vieram sorrindo para mim, e aquilo realmente me abalou, até então eu tinha a imagem de que crianças que vivem em orfanato são tristes, infelizes até. A moça veio perguntar o que eu queria e eu já meio abalado falei que tinha ido levar uma lembrancinha de páscoa para eles e os olhos das crianças brilharam. A moça perguntou o meu nome, como nas outras vezes em que fui lá, só que dessa vez ao falar, as crianças me agradeceram e um menininho bem pequeno veio e me abraçou. Aquilo me partiu o coração, eu vivo reclamando do que tenho, sendo chato, mas não era capaz de enxergar que sempre tem alguém com menos, e que mesmo assim é capaz de sorrir. Na volta pra casa, me controlei muito, a vontade de chorar era enorme e eu não gosto de chorar, acabei fungando o caminho todo. Bom, queria dividir isso com vocês hoje por que é algo bom para pensar principalmente no dia de hoje, e foi algo que realmente mexeu comigo.
Feliz Páscoa para todos!
Bryan.
domingo, 24 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
Você...
Dedicado a uma pessoa confusa que confunde minha mente... Quem sabe eu esteja apaixonado...
Se falar que não ligo, estarei mentindo.
Se disser que não quero, estaria fingindo.
Ignorando meus sentidos, não estarei vivendo.
E aos poucos assim, estarei morrendo.
Não sei mais o que pensar, o que dizer.
Não consigo interpretar o que você pode querer.
Seus sentimentos são estranhos, um tanto confusos.
Incertos, quem sabe, difusos.
Daria tudo para ter seu manual.
Quem sabe tornar-te um pouco mais usual.
Mas me torno incapaz de esquecer,
Os poucos segundos que tomei de você.
Queria ter tido segundos, minutos, momentos
Para poder interpretar melhor os seus sentimentos.
Se falar que não ligo, estarei mentindo.
Se disser que não quero, estaria fingindo.
Ignorando meus sentidos, não estarei vivendo.
E aos poucos assim, estarei morrendo.
Não sei mais o que pensar, o que dizer.
Não consigo interpretar o que você pode querer.
Seus sentimentos são estranhos, um tanto confusos.
Incertos, quem sabe, difusos.
Daria tudo para ter seu manual.
Quem sabe tornar-te um pouco mais usual.
Mas me torno incapaz de esquecer,
Os poucos segundos que tomei de você.
Queria ter tido segundos, minutos, momentos
Para poder interpretar melhor os seus sentimentos.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Bryan na Terra das Pessoas Semente. Parte 1.
Eu simplesmente acordei. Não fazia a menor idéia de onde estava, nem ao certo me lembrava quem eu era. Encontrava-me deitado em um longo campo gramado, a claridade ainda incomodava um pouco os meus olhos, mas o estranho é que não havia sol, grandes nuvens cinzentas estavam espalhadas pelo céu, era o dia mais nublado que eu já havia visto. Sentei-me coçando os olhos e olhando ao meu redor, a planície se estendia pelo horizonte tendo um pequeno aglomerado de casinhas mais a frente de onde eu estava. Tentei recordar onde estava ou o que fazia ali, mas um espaço vazio sobre essas questões estava em minha mente, apenas lembrava-me que eu procurava por algo, uma coisa importante e que me fazia falta. Acabei decidindo que iria até o pequeno vilarejo, levantei-me e percebi que por mais que o dia estivesse nublado, o local onde eu estava era uma das paisagens mais bonitas em que eu já estivera. Comecei enfim a caminhar para o vilarejo e percebi que algumas pessoas começaram a surgir de dentro das casas, algumas até, vindo em minha direção.
- O Sol! – Apontou uma delas quando eu me aproximei, deixando-me um pouco assustado.
- É o Sol, a chuva parou! – exclamou outra.
De uma hora pra outra eu estava rodeado de pessoas. Todas possuíam o mesmo tom de pele, um tom pálido como se há algum tempo elas não tomassem sol, todas trajavam vestes verdes, roupas comuns até, mas todas em tonalidades de verde, tendo me chamado a atenção um grupo de idosos que trajavam roupas em tons de laranja escuros.
- Eu não sei do que vocês estão falando! – falei um pouco assustado.
- O senhor é o Sol, moço? – Perguntou uma menininha que estava de mão dada com uma mulher que me olhava maravilhada.
- Não, não, meu nome é Bryan- meu nome surgiu em minha mente e automaticamente lembrei-me quem eu era. - E não faço a menor idéia de quem seja esse Sol de que vocês tanto falam. – aquela história de Sol começava a me assustar, em que buraco eu havia me metido?
- Vamos, meu jovem. – Um senhor do grupo de vestes laranja se dirigiu a mim. – Será muito bem recebido em nosso humilde vilarejo. Preparem a comemoração em homenagem ao Sol! - bradou ele, fazendo com que logo em seguida o resto das pessoas do vilarejo acatassem sua ordem. – não seja tímido meu jovem, venha conosco.
Bem, eu não tinha muita opção né, ou iria com eles ou provavelmente eles me levariam a força. Acompanhei-os até o vilarejo que por sinal era bem maior do que eu imaginava. Todas as casas eram na cor marrom com folhas grandes e verdes saindo de seus telhados, dando um aspecto de planta para as casas. Havia mais pessoas ali agora, no que parecia ser uma praça, todas me olhando com uma mescla de curiosidade e felicidade.
- Aqui está meus caros, finalmente encontramos outro Sol! – o senhor falou alto apontando para mim. Todos os que estava ali começaram a vibrar e a comemorar algo que eu não fazia a menor idéia do que era. Aquelas pessoas viam em mim algo que eu mesmo era incapaz de enxergar, algo que as fazia felizes.
- Senhor eu não sou esse Sol! – Falei um pouco sem graça, era um tanto constrangedor dizer algo como aquilo, que poderia destruir a felicidade dos outros.
- É claro que é meu jovem, você tem a centelha do Sol – sorriu o idoso. - Agora, acompanhe meu neto enquanto começamos os preparativos para a comemoração. Andrew, seja educado e acompanhe o jovem Sol a nossa casa e alimente, ele parece faminto. – um garoto pálido de cabelos castanhos e olhos verdes(todos no vilarejo possuiam olhos verdes, algo que eu não havia reparado anteriormente) veio em minha direção olhando-me sério, diferentemente das outras pessoas do vilarejo.
- Vamos...! – disse ele caminhando em direção a uma das casas. Segui-o de perto entrando atrás dele na casa. A iluminação era fraca, parecia ser proveniente da claridade que vinha do lado de fora, deixando a casa com um tom um pouco sombrio. Tudo dentro da casa parecia ser feito de madeira, uma madeira lustrosa e bonita.
- Você não é o Sol! – ele virou-se do nada encarando-me nos olhos seriamente. – Eu sei que você não é o Sol, pode até ter a centelha, mas é como o outro garoto que passou por aqui a alguns dias atrás, a diferença era que ele era mais novo!
- Em momento algum eu disse que era o tal Sol! – falei um pouco irritado. – Até pelo contrário, fiz questão de falar várias vezes que não sou e que não faço a menor idéia do que vocês estejam falando.
-Ah, entendo... – ele pareceu entender. – Foi a mesma coisa que aconteceu com o outro forasteiro. Desculpe-me pela má educação, sou Andrew. – disse ele estendo a mão, puxando uma cadeira da mesa que havia ali. – Sente-se.
- Bryan. – disse cumprimentando-o. – Se não se importa, queria saber onde estou.
- Ué, você não sabe onde está? Como alguém pode andar por um lugar que nem sabe onde é, hein? – ele começou a rir. – Essa é a terra Solaria, se bem que acho que no momento só temos o Aria. Você não é daqui, né? Tem um brilho diferente de todos os que já vi – ele parecia me analisar. – parece até o garotinho que passou por aqui no outro dia...
- Tenho algumas perguntas se não se importa de responder. – comecei a ficar curioso sobre aquelas pessoas. – Por que precisam desse tal Sol?
- Sem ele nós estamos fadados a sumir, é impossível brotarmos da terra sem o sol...
- Brotar? Como assim? – fiquei totalmente confuso com essa história que ele começava a me contar. – Você quer dizer brotar que nem planta?
- É, isso mesmo, como plantas. – disse ele sorrindo calmamente, parecendo um pouco animado com minha cara de espanto.
Eu não to entendendo isso! – Era impossível acreditar que pessoas brotavam da terra.
- Simplesmente nascemos. – concluiu ele, parecendo não ter mais paciência para me explicar algo que para ele parecia ser a coisa mais simples de ser entendida. –Também tenho uma pergunta para você! O que você faz perdido por aqui?
- Boa pergunta! –respondi sinceramente. – Eu simplesmente acordei, só lembro meu nome e que eu estava procurando algo, que eu não sei o que é. – ele me olhou com uma cara de curiosidade.
- Você deve estar com fome né? – ele levantou-se indo para o outro cômodo voltando logo em seguida com um cesto que continha frutas e alguns legumes, colocando-o sobre uma mesinha que estava em nossa frente. – Sirva-se. – ele sorriu.
AS frutas tinham uma aparência ótima, pareciam ser todas frescas e eu estava realmente faminto. Normalmente eu tentaria descobrir a procedência das frutas, mas a fome não me deixava pensar normalmente naquele momento.
- Obrigado! – falei mordendo a maçã torcendo para que ela não tivesse nenhum tipo de veneno tipo “Branca de Neve”, mas dei a segunda mordida e nada me aconteceu. – Vocês comem carne por aqui?
- Carne? Não! Nunca! – ele me olhou apavorado. – Você come carne?
- ... – sacudi a cabeça concordando.
-Ohhh... – ele afastou-se um pouco de mim. – Não comemos carnes por aqui, só vegetais!
- Então todos são vegetarianos? – perguntei enquanto escolhia a próxima fruta que devoraria.
- Vegetarianos? O que seria isso? – novamente o olhar de curiosidade surgiu em
Andrew.
- Ah, esquece... – não valeria a pena explicar sobre vegetarianismo para ele.
- Você vai ficar aqui para sempre? – aquela pergunta me pegou de surpresa.
- Não, eu tenho que encontrar o que eu estou procurando...
- Mas... Precisamos de você... Precisamos do Sol! – ele falava cabisbaixo.
- Eu não posso ficar... Eu tenho uma família – novamente fragmentos da minha memória reapareciam. – Não há nada que eu possa fazer?
- Acho que não, minha tarefa é buscar o Sol, eu partiria nessa busca em dois dias, mas você apareceu... – sua voz era triste.
- O que aconteceu com o Sol antigo de vocês? – queria compreender mais para tentar buscar uma solução.
- Não sabemos ao certo, simplesmente se apagou.
- Ele era como eu? Uma pessoa? – era bem difícil de entender como as coisas ali funcionavam.
- Não, era apenas um Sol, um grande, brilhante e quente Sol, mas de um dia para o outro ele sumiu, não brilhava mais, eu avisei para as pessoas do vilarejo, eu tinha reparado que ele já não vinha mais brilhante como antes, mas quem dá ouvidos a um jovem? – o sentimento de culpa era forte na voz dele. – Eu pensei em ir até as montanhas onde ele nascia, mas nunca me deixariam ir sozinho, mesmo sendo eu o escolhido para buscar um novo sol.
- Irei com você! – eu queria poder investigar essa história. – Partiremos amanhã!
- Eles não vão querer que você vá... É perigoso, não sabemos o que aconteceu ao certo com o antigo... – ele começou a falar.
- Não importa, iremos do mesmo jeito, falarei que preciso tomar o meu lugar nas montanhas, que de lá brilharei mais forte. – meu plano se formou na minha cabeça em fração de segundos.
- Então tá, espero que dê certo! – a animação tomou conta de Andrew.
- A comemoração está pronta! – a mesma garotinha que estava de mãos dadas com a mãe quando cheguei ao vilarejo adentrou a casa avisando-nos animada. – Vamos Senhor Sol, está tudo muito bonito! – disse ela animada.
Levantei-me sendo acompanhado por Andrew, ao sair da casa me deparei com o cenário mais bonito que eu poderia ver tudo estava decorado com enfeites em forma de sol, luzes alaranjadas encontravam-se espalhadas por todo o vilarejo, uma mesa farta de frutas e legumes estava posicionada onde parecia ser o centro da praça e todos os moradores sorriam em pé acenando para mim felizes. Naquele momento uma dor surgiu em meu peito, não uma dor física, mas uma emocional, e se eu não conseguisse resolver o problema deles com o sol? Eu me sentiria culpado de mais em ir embora e abandoná-los assim! Eu teria que realmente assumir lugar do Sol antigo nas montanhas, deixando minha buscar pelo desconhecido que eu tanto deveria buscar de lado, e também abandonaria minha família, algo que doía bastante para mim.
- Olá! – sorri timidamente enquanto me encaminhava para o centro...
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Princípio ilusório de uma mente inversa. Conclusão
Ele não sabia ao certo quando começou a se descontrolar, sua frieza sempre o manteve são, mas pelo visto, a realidade do mundo começou a perturbá-lo. Ele já não era capaz de suportar assistir a discursos sobre uma igualdade que não existia, o mundo no qual vivia era dominado pelos fortes, os fracos mantinham-se controlados, alguns até falavam sobre a busca pelos seus direitos, mas os seres humanos são sedentários e alienados, até ele mesmo sabia que era um dos comandados. Lembrou-se de quando leu sobre “A Alegoria da Caverna” de Platão era exatamente o que ocorria em sua realidade, ninguém buscava tentar ver o que eram as tais sombras, aceitavam aquilo como verdade e os poucos que saiam daquele abismo de ilusões e enfim enxergavam a realidade, passavam a ser excluídos pelo seu grupo e silenciados pelos que comandavam. Foi quando ele começou a perceber que não era apenas mais um, lutou contra tudo e todos, tornou-se um rebelde, mas esses pensamentos só existiam em um lado de sua mente, já o outro era como o resto dos humanos, fraco, alienado e comodista, negava-se a lutar por si mesmo e muito menos pelos outros. Era a prova de que todos os humanos são egoístas em seu íntimo. Com a mente em confronto ele e eu passamos a dividir um mundo em nosso corpo, era fácil ter mais controle, ele começava a fraquejar pela falta de pessoas que pensavam da mesma forma enquanto eu me fortalecia com ajuda dos “falsos pensantes” que existiam ao meu redor. Aos poucos, fraco e cansado, ele começou a ser apagado, mas em mim uma nova visão começava a surgir, comecei a me questionar sobre as diferenças que existiam, as injustiças que eu via, a dor que pertencia aos fracos. Mas já era tarde, ele já quase não existia, havia afundado no abismo das incertezas, aquele mesmo abismo que todos nós possuímos e que fazemos questão de manter na parte mais funda de nossa mente. Chovia bastante naquela noite...
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Princípio ilusório de uma mente inversa. Parte:1
Ele andava perdido nas próprias idéias, sim, essa era a sua realidade. Já não tinha noção das horas, havia deixado relógio e celular em casa, não queria saber de nada. A chuva caia torrencialmente naquela noite e ele continuava vagando sem rumo, a esmo, pelas ruas escuras da cidade. Sua mente fumegava com pensamentos estranhos, sombrios, um turbilhão de idéias que ele já não era capaz de organizar e muito menos suportar, estava surtando na verdade. Havia perdido o controle, já não agüentava mais aquela realidade, queria às vezes poder abandonar tudo e entrar em alguma das fantásticas histórias que escrevia em seus cadernos, simplesmente para espairecer. Finalmente deu-se conta de que já não sabia onde estava, sentou-se no chão próximo a parede de uma casa e ficou ali olhando para o céu chuvoso, sentia o frio percorrer todo o seu corpo por causa das roupas molhadas, mas aquilo não importava, parecia que finalmente tinha começado a se acalmar. Era tão difícil aceitar que havia se tornado “obsoleto” já não tinha mais utilidade, para que eles precisariam de alguém como ele? Alguém que não conseguia mais suportar a própria carga de pensamentos, um descontrolado eles disseram. Sentei-me ao lado dele, ele nem sequer moveu os olhos. Senti-me um pouco intimidado com os pensamentos um tanto destrutivos que era capaz de ler em sua mente. Não é hora de desistir, pensei para mim mesmo e ele pareceu entender. Tornei-me perceptivelmente incapaz de equilibrar minha própria mente, havia entrado em conflito com meus próprias emoções e ali estava o resultado, incondicionalmente eu tinha perdido a linha, a rotina de minha pacata vida começava a me perturbar novamente, já devia ter me dado conta, fui tolo e já não enxergava as contradições complexas que eu havia armado em torno da minha mente, sucumbi a uma pressão que eu mesmo havia criado e agora não era capaz de organizar o que eu sentia. Finalmente eu havia sucumbido aos meus demônios interiores...
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