Já nem era tarde, mas não era dia. Eu permanecia parado em um momento no tempo que talvez nem soubesse mais como continuar e mesmo que eu tentasse, ainda estava ali.
Você vinha sem mais nem menos, batia na porta e dizia adeus, e eu estagnado, ficava vidrado sem dizer os meus.
Era como se nada mais importasse, você vinha com suas asas quebradas, dizendo palavras que eu não podia entender. Já não era humana, e muito menos a mesma, era só lembrança que não pude esquecer.
E eu ainda frio, no meio da noite, procurava ajuda num refrão de amor.
Dois estranhos, parados frente a frente. Você com seu jeito forte e eu meio sem sorte, com a cabeça tonta, cheio de mistérios, sem saber porque.
Eu já nem lembrava dos seus medos, dos seus temores, nem você dos afagos e dos meus amores. Novamente estranhos, sem mais nada a ter.
Mas ainda insisto, tento erguer mil pontes, mesmo sem saber, que do outro lado, você insiste em destruí-las sempre.
Dessa vez, vejo tudo de longe, vejo a vida indo e também vou seguindo.
Eu te vi sorrido.
E eu estive chorando.
Sem mais sofrimento.
Vou te desamando.