domingo, 22 de novembro de 2015

Sobre meninos e piratas.

Se não existissem motivos, Henry não teria desejado, de todo coração, aventurar-se pelo mundo. Talvez tenha sido o sonho de criança de ser pirata ou a ânsia da juventude de navegar e descobrir coisas novas que o colocaram em uma embarcação pequena e solitária, na qual só havia espaço para ele, seu furão de estimação e algumas provisões.

Despediu-se de sua família com apenas uma carta e partiu em uma manhã qualquer, usando um chapéu improvisado e compondo a tripulação de um homem só. Confiando plenamente em toda a teoria de navegação lida em livros e nas informações que conseguiu nas manhãs em que conversou com pescadores e marujos próximo ao porto de sua cidade natal, o jovem reuniu coragem e navegou mar adentro, dando ordens a si mesmo como um capitão de verdade.

Na primeira noite, o mar foi piedoso, porém o vento em alto-mar soprava tão forte que, enquanto Henry dormia, o levou rapidamente para longe da costa. A cada dia que passava, sua aventura tomava rumos diferentes: desde monstros marinhos e ilhas desconhecidas até outros aventureiros como ele.

Dia após dia, o garoto enfrentava novos desafios, obstáculos que não havia planejado e muito menos imaginado que surgiriam. Nem sempre as ondas eram amigáveis, e nem sempre o sol era um bom companheiro; havia dias nublados e tempestades em que o jovem apenas se encolhia em seu pequeno barco e esperava pelo amanhã. Mas também havia momentos em que o sol sorria no céu, aquecendo-o docemente enquanto ele navegava tranquilo pela vasta e infinita imensidão do mar — um azul tão puro que o fazia querer parar o tempo para contemplá-lo eternamente.

E assim o tempo passou, até que o menino sentiu saudades de casa, dos amigos e da família. Ele havia aprendido e vivido tantas coisas durante sua navegação que decidiu que já era hora de voltar. Não acreditava em destinos traçados; sempre dizia que o amanhã era movido pelo presente e pelas escolhas feitas agora — e, naquele momento, ele escolhia voltar.

Não era como se sua aventura tivesse terminado, tampouco significava que não haveria outras como aquela. Henry agora se via como um pirata de verdade — não daqueles malvados de tapa-olho que via nos filmes, mas alguém dono de seu próprio rumo e capaz de navegar para onde desejasse. Ele havia crescido e mudado ao longo da jornada, passando por tantas coisas boas e ruins que agora podia compreender que não havia no mundo porto mais seguro do que seu próprio lar.